Barão de Buíque ou Barão do Poço

Poucos cidadãos carregaram em seu sobrenome o nome de Buíque e nenhum deles é tão popular nas pesquisas históricas quanto o Barão de Buíque.

Nascido em Brejo da Madre de Deus, na fazenda do Poço em 1808. Quando jovem, foi voluntário no combate armado contra a revolta anti-regencial da Cabanada, quando passou a ser chamado por “Camboin”. Adiante, tornou-se o Coronel Francisco Alves Cavalcanti Camboin e de 1835 a 1837, foi Deputado da Assembleia Legislativa da Província de Pernambuco.

A escolha de um novo Barão na família

Em 1862, tendo falecido o Barão de Atalaia, um novo Barão seria escolhido entre os familiares e o nome de José Marques de Albuquerque Cavalcanti, foi selecionado em consenso para receber o título, tendo em vista seu parentesco com o Marquês de Olinda (primo paterno). Porém, havendo sido encaminhado o pedido, José Marques veio a falecer em Buíque, vitimado pelo segundo cólera-morbus. Surge então, um segundo nome, simpatizado pelo Consº João Alfredo. Era Antônio Francisco de Albuquerque Cavalcanti Budá – pai do Cardeal de Arcoverde. Contudo, estando prestes a receber a carta com o título, Budá falece no ano de 1870.

Após o falecimento de Budá, Francisco Alves passa a ser o novo cotado para o título. Francisco era filho de Leonarda Arcoverde Cavalcanti de Albuquerque e Alferes Francisco Alves da Silva, conhecido como “Alferes do Poço”, por residir na fazenda do Poço, em Brejo da Madre de Deus.

Defensor das causas indígenas

De 1869 a 1879, ainda como Cel. Francisco Cavalcanti Camboin, assumiu o cargo de Diretor Geral dos Índios. Destemido, enfrentava fazendeiros ricos que tomavam como suas as terras indígenas ou exploravam os nativos ilegalmente para servi-los nos ofícios agropecuários. Ele conseguiu fazer com que o presidente da Província criasse uma Comissão de Sindicância que analisava e emitia pareceres que resultavam na extinção de algumas aldeias, porém sem que os indígenas já espoliados, fossem prejudicados.

A Comissão foi composta por Joaquim Gonçalves Lima, Antônio de Vasconcelos Menezes de Drumond e Manuel Buarque de Macedo.

O Barão de Buíque identificou e denunciou crimes praticados por brancos contra os nativos de várias localidades, atuando como um defensor da causa indígena, mandando reaver terras tomadas e demarcá-las. Porém, em 27 de março de 1872, um aviso do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, extinguiria os aldeamentos pernambucanos. Deixando os índios em más condições com os donos de terras vizinhas.

Título de Barão e outros cargos de destaque

Francisco foi também Comandante superior da Guarda Nacional em Brejo da Madre de Deus. Além de vereador por várias legislaturas.  Durante mais de 50 anos, foi um dos chefes do Partido Conservador no interior da Província. Era conhecido por grandes nomes do passado, como o Duque de Caxias e o Conselheiro João Alfredo Correia de Oliveira.

Pelos serviços prestados ao Império, foi agraciado por D. Pedro II com Decreto Imperial datado de 17 de maio de 1871 que o nomeara com o título Barão de Buíque (fazendo referência à cidade pernambucana). Na época, o Cel. Francisco Cavalcanti era Oficial da Imperial Ordem da Rosa.

Em 1892, foi eleito o primeiro prefeito Constitucional (republicano) de sua cidade natal.

Família

Com Anna Olímpia de Siqueira Cavalcanti, teve 5 filhos: Anna Alves Cavalcanti Camboim, Francisco Alves Cavalcanti Camboin Filho, André Alves Cavalcanti Camboin, Clara Alves Cavalcanti Camboin e Cincinato Alves Cavalcanti Camboin. Francisco falava fluentemente o Francês e o Latim, era liberal e humanitário, pertencia ao partido conservador.

“O Barão de Buíque foi casado com a prima de Anna Olímpia de Siqueira Cavalcanti, filha do coronel Lourenço Bezerra de Siqueira Cavalcanti, neta paterna do capitão Joaquim Inácio de Siqueira e bisneta do Mestre-de-Campo Pantaleão de Siqueira Barbosa”. (THAUMATURGO, Newton)

Falecimento

O Barão de Buíque também ficou conhecido como Barão do Poço, devido ao nome da fazenda herdada pelo pai, e também por e Barão de Camboin. A fazenda no qual residia era muito frequentada por autoridades da época. Lá faleceu aos 88 anos, em 02 de fevereiro de 1896.

Referência:

THAUMATURGO, Newton. O Barão de Buíque “Barão do Poço” 1808 – 1896. 1980, 74 p. Disponível em: https://newtonthaumaturgo.blogspot.com/2019/02/o-barao-de-buique-1-prefeito-do-brejo.html – Acessado em: 25/08/2019.

SOBRE O AUTOR

Publicitário, especializado em Comunicação Empresarial. Interessado em turismo de aventura, história, cultura, ciência e artes. Nas horas vagas, dedica-se a leitura, pesquisas, registros fotográficos e audiovisuais envolvendo Buíque e o Parque Nacional do Catimbau.

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