Ato de solenidade da pedra triangular da matriz de Buíque

Ato de solenidade da pedra triangular da matriz de Buíque

Às 6h da manhã do dia 31 de julho de 1853 (dia de Santa Ana), a povoação de Buíque reuniu aproximadamente seis mil pessoas, entre locais, visitantes, autoridades políticas e religiosas para prestigiar o Ato Solene de lançamento da pedra triangular da nova Matriz de São Felix de Cantalice, a ser erigida por influência do Frei Caetano de Messina que à época era mestre missionário apostólico capuchinho, delegado extraordinário do bispado e também prefeito da Penha. Ao lado do Frei, estiveram presentes o vigário da freguesia: José Teixeira de Melo e o padre secretário da visita: José Antônio dos Santos Lessa.

À porta da matriz, o Rvm. Frei Caetano de Messina benzeu a pedra triangular, depositando-a em cova diante da porta da velha matriz que se encontrava em estado de ruína e, juntamente com a pedra, enterrou várias pontas de facas, pistolas e balas de clavinotes, arrecadados após promover a primeira campanha de desarmamento realizada em Buíque. Assim, pela santa palavra, convenceu a população a levar armas brancas, de fogo e munições para que fossem enterrados junto à pedra, num ato simbólico de celebração à paz.

Buíque não recebia a visita de um missionário há 49 anos e grande multidão fora a seu encontro, quando de sua chegada em 22 de julho de 1853. Viu o Frei as condições da igreja e disse à multidão que não sairia de Buíque enquanto não houvesse sido edificado a nova e grande matriz além duma capela para o batistério, um grande cemitério e um consultório para a irmandade e uma casa para o vigário. Dito isso, convocou a multidão para ajudar na construção com a obtenção de madeiras, tabuados, tijolos, telhas e cal.

Todo material era trazido de duas a três léguas de distância. A madeira de cedro usada para a construção foi extraída da mata do cachimbo (Buíque). também conseguiu-se 600$ réis usados para o pagamento dos pedreiros e outras despesas.

Entre as autoridades e residentes locais fizeram-se presentes: Antonio Bezerra Cavalcanti, Antonio de Araújo Cavalcanti, Antonio de Hollanda Cavalcanti, Antonio Marques de Albuquerque Cavalcanti, Augusto Bezerra Cavalcanti, Bento Americo Leite Cavalcanti, Dorindo da Cunha Lima, Emiliano Cavalcanti de Albuquerque, Felix José Delgado, Francisco de Assis Chaves Penna, Honorato de Albuquerque Cavalcanti, João Alvares da Cunha, João Lourenço de Mello Júnior, João Paes Barreto de Mello Cavalcanti, João Rodrigues Lins de Albuquerque, José Alvares de Albuquerque, José de Albuquerque Cavalcanti, José Jeronymo de Albuquerque Mello, José Leoncio de Albuquerque Cavalcanti, José Monteiro Cavalcanti, José Pacheco Couto, José Victoriano de Carvalho Cavalcanti, Lourenço de Albuquerque Cavalcanti, Luiz de Araújo Cavalcanti, Paulo Cavalcanti de Albuquerque, Pedro Leite de Albuquerque, Thomaz de Aquino Cavalcanti e  Victoriano José de Couto.

A nova matriz foi construída em pouco mais de dois meses (72 dias). Ao lado esquerdo, um imóvel que servira de consistório a irmandade do Santíssimo Sacramento, e local de armazenamento das alfaias. Do outro lado, a casa do pároco e aos fundos das duas casas passando pelos fundos da capela-mor, o cemitério da cidade e nos fundos deste, sua capela própria. Outra importante obra foi o reservatório de água com 90 palmos de largura em formato quadrado e 30 palmos de profundidade.

Carta enviada ao Diario de Pernambuco (autor desconhecido), publicada em nome da Comarca de Garanhuns no dia 17 de outubro de 1853:

Contém a nova igreja matriz uma capela lateral em que se conserva o SS. Sacramento, um grande coro, com grade na frente, e outra grade na igreja para a devida separação entre os homens e as mulheres; está toda rebocada já, e caiada por dentro, no frontispício; e também a frente das duas casas. Em todas estas obras não chegou a despesa a 1:800$000rs.: todavia os peritos as tem avaliado no custo de não menos de 30:000$000rs. Tal é, pois, o valor do trabalho e pesados serviços, que o bom povo deste Buíque tem prestado debaixo da sábia direção e poderosíssima influência que sobre ela adquiriu o quase angélico missionário, que não deixou de nos instruir ao mesmo tempo, com doutrinas as mais tocantes, em todos os dias de manhã e a noite, que produziram copiosos frutos”. – ¹DIARIO DE PERNAMBUCO, 1853.

Ações realizadas pelo Frei Caetano

Mais de seis mil pessoas confessaram-se e comungaram; houve 126 casamentos e 11 antes desfeitos, foram reatados. Houve também 213 batismos e 2.924 crismados. Antigas intrigas foram desfeitas e fazendas tomadas foram restituídas. Até mesmo uma quadrilha de criminosos atrelada a um senhor chamado Antonio Tenório de Albuquerque foi desfeita. Frei Caetano de Messina deixou Buíque em 05 de outubro de 1853 e sua influência causou grande transformação entre os cidadãos buiquenses. A obra da matriz acabaria por influenciar no ano seguinte, na decisão feita em Assembleia Legislativa Provincial em transformar a freguesia de São Félix na Vila Nova do Buíque.


Referência:

  • DIARIO DE PERNAMBUCO. Auto da solenidade do lançamento da primeira pedra desta matriz de S. Felix de Cantalicio, nesta povoação de Buíque. 30 ago 1853, nº 194, ano XXIX, p.2.
  • ¹DIARIO DE PERNAMBUCO. Comarca de Garanhuns. Buíque 17 de outubro de 1853. p.2.
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Publicitário, fotógrafo e pesquisador da história buiquense.

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