O tupi foi um dos idiomas mais falados no Brasil e tem grande influência na formação do português falado no Brasil, tanto que se comparado ao português de Portugal, sente-se certo distanciamento entre as línguas, como ocorre entre o Espanhol e o Italiano. Os termos em tupi nomeiam a fauna, flora, cidades, territórios, estados, na culinária, nas gírias e em quase tudo que se possa observar.

Não é uma língua fácil de ser pronunciada (em alguns aspectos). Porém, compreendendo os conceitos básicos, pode-se avançar significativamente em sua compreensão. O tupi, não tinha grafia e por isso, possuía limitações. Para que fosse possível aprender a língua, fez-se necessário adotar regras gramaticais e criar termos que indicasse o tempo das orações e as ligações que refinassem mais o sentido do que é dito, estabelecendo um associativismo à gramática portuguesa.

DICIONÁRIO PORTUGUÊS-TUPI | TERMOS DE A a V:

A  B  C  D  E  F  G  H  I  J  L  M  N  O  P  Q  R  S  T  U  V

O alfabeto

O som produzido pela fala dessa língua ágrafa (sem grafia ou alfabeto) dispensa o de algumas letras comuns no alfabeto português [F, J, L, V e Z], bem como combinações de sílabas como ocorre em bla, bra, pla, pra, tra, gra e outras semelhantes que não são usadas. Para facilitar o estudo da língua, associou-se ao tupi, o alfabeto português com algumas adaptações. Essa associação que inclui regras e alguns termos criados, dá origem ao termo “nheengatu” que significa: língua boa [que se tornou fácil de ser falada] comumente chamada de “tupi moderno” e que no início do período colonial chegou a ser uma das línguas mais faladas do Brasil. De fato, autores modernos, na intenção de melhorar o uso do tempo das orações, acabaram inserindo novas regras e como na língua portuguesa acabam dificultando o aprendizado. Contudo, isso é coisa para quem tem interesse em aprofundar-se no assunto. Conhecer o básico é a etapa principal para ter uma noção útil sobre a influência da língua no nosso dia a dia e algumas curiosidades.

O som do “B” é anasalado e é pronunciado “mb”. O mesmo ocorre com o “D” [inicial] que se pronuncia “nd”. O entendimento dos intérpretes da língua faz alguns ermos apresentarem variações cujo som é muito próximo, mas que se referem a um mesmo termo. Por isso é comum encontrar palavras como Ibiracuéra, com a variante Ibirapuéra. Essa troca de letras é muito frequente entre as letras B, P e M.

A letra J tem som de dj e foi incluída na grafia por proximidade ao som produzido em certos termos.

O som de “que” e “qui” é reproduzido com uso do “K”. Assim Iqué será escrito iké [sign. Tupi: aqui].

O som do “R” forte como o pronunciado em “rua e carro” também não existem. Portanto, sempre que um termo apresente o “r”, este terá som brando como em: arado, caracol, birô.

O “s” não é usado com som de Z como em: casa, coser; e sim com som de “ss”. Assim, kysé [faca em tupi] deve ser compreendido com som de “ss”, alguns autores do passado fizeram uso do Ç para representar esse som.

Vogais

As vogais no tupi incluem as mesmas da língua portuguesa com atenção a uma das vogais extras muito usadas, representada pela letra “y”. Essas vogais extras são representadas pela grafia de vogais comuns com acréscimo de acentuações que distingue sons anasalados, com til e orais. Exemplo: â, á, ê, é, î, í, ô, ó, ú.

O som da vogal representada por “y”

Reproduzir esse som peculiar representado pelo Y exige que os lábios sejam posicionados de forma semelhante à usada para pronunciar o “i” e a língua, com a ponta encostada nos dentes inferiores – na posição usada para pronunciar “u”. O som não é difícil de produzir, embora seja um meio termo entre as vogais “i” e “u”.

Esse meio termo singular aparece disposto de várias formas nos antigos dicionários, e variam conforme o entendimento de cada estudioso, conforme as limitações de entendimento de cada com base no que se pode alcançar conforme sua própria língua. Assim, a vogal Y aparece como yg, u, i, ou qualquer dessas letras acompanhadas por trema.