História da Paróquia de São Félix de Cantalice

A história de Buíque é um quebra-cabeças e parte de suas peças permanece escondida nas estantes e memórias de alguns de seus moradores antigos. Perdidas à espera de um resgate, outras perderam-se para sempre. Porém, sabe-se que o grande marco que determinou o desenvolvimento da cidade começa com a construção da Paróquia de São Félix de Cantalice, não diferente de várias outras cidades do interior brasileiro. Assim, foi dada a expansão do centro de Buíque, no entorno duma simples Capela que tornou-se o marco zero desta cidade.

Parte do que se sabe até então, se deve a contribuição de um dos seus Padres célebres da cidade, o Monsenhor José Kehrle que pesquisou e registrou dados sobre a fundação da Matriz em livro de tombo paroquial no ano de 1951, no qual consta que em 1753 – Félix Paes de Azevedo, natural de Penedo – doou nos Campos do Buíque (denominação dada ao território no período) metade de suas terras aos sobrinhos Julião de Matos Garcês e Francisca dos Prazeres, com a ressalva de que 500 braças dessas terras fosse patrimônio da Capela de São Félix de Cantalice que estava sendo erigida em local correspondente à Fazenda Lagoa.

Em 19 de novembro de 1716, o fazendeiro Félix Paes de Azevedo e seu irmão Nicácio Pereira falcão, natural de Penedo – Alagoas, compraram da viúva de Pedro Aranha Pacheco (Maria da Rocha), as terras da Fazenda Lagoa. Ainda em 1716, havia de Félix Paes de Azevedo o desejo de criar a capela em atenção à São Félix de Cantalice, um frade pertencente à Ordem dos Capuchinhos, canonizado há pouco tempo.

No ano de 1753, falece Nicácio Pereira Falcão e seu irmão, Félix de Paes Azevedo doa metade das terras aos sobrinhos Julião Matos Garcês e Francisca dos Prazeres, sendo a outra parte recomendada à doação de 1000 braças quadradas para compor o patrimônio da capela de São Félix de Cantalice que começou  ser construída naquele mesmo ano.

Mais tarde, em 27 de maio de 1754 o patrimônio da igreja aumenta com a doação de seis mil réis de Gonçalo Pereira de Moraes numa de suas propriedades na Fazenda Mocó.

A antiga capela foi demolida e no lugar foi construída a paróquia, concluída em 1792, data que pode ser confirmada no livro: “Campos do Buíque, suas terras, sua gente” de Cidinaldo Buíque de Araújo Azevedo; Em 1792, o bispo D. Frei Diogo de Jesus Jardim criou a freguesia; canonicamente instalada em janeiro de 1793 pelo padre João Lourenço Paes Lelou, seu primeiro vigário. O estabelecimento da freguesia foi confirmado através de um Alvará datado de 11 de dezembro de 1795, que também criou o distrito subordinado a Garanhuns.

Sessenta anos após sua elevação à categoria de paróquia, a matriz encontrava-se em estado de ruínas. Isso devido a sua construção feita em taipa (madeira, barro e pedras). Assim, em 1853, o Frei Caetano de Messina – frade italiano que passou por algumas cidades do Nordeste, veio até Buíque e reconhecendo que sua arquitetura não era digna de uma paróquia, mobilizou a população local para a construção de uma nova igreja.

A antiga capela tinha sua entrada voltada para a lagoa. Após sua demolição, surge a nova igreja com a frente voltada para o leste (nascente do sol). Em 1925 a igreja teve um novo acréscimo, a partir do altar mor (onde está localizada a imagem de São Félix), no qual até a porta principal correspondia a área da igreja, sendo ampliada, posteriormente – do altar para o fundo que servia como Sacristia e a Capela do Santíssimo. Três portas constituíam a entrada da igreja – as laterais foram fechadas, permanecendo apenas a porta central como é conhecida atualmente.

Uma imagem de grande porte de São Félix de Cantalice, foi doada por um fazendeiro da região, conhecido como Major Lulu de Aquino (Luís Tenório Cavalcanti de Albuquerque). A imagem primitiva foi enviada à capital pernambucana (Recife) para reforma e não retornou. Uma segunda imagem do santo foi posta em seu lugar, a que pode ser vista no altar atualmente.

Em 10 de março de 1907 foi erigida a Via Sacra na Matriz de São Félix de Cantalice; Em 1925, durante o pastoreio e administração do Pe. Otacílio Pimenta (1923 a 1928), foram fechadas 2 das 3 portas frontais da matriz, permanecendo apenas a central e as demais transformadas em janelas.

“A Capela de São Félix só deixou de ser filial da Matriz de Santo Antônio de Garanhuns quando passou a categoria de Matriz da freguesia de São Félix de Buíque. Em 1972. ” (CF. Azevedo. CBA. Campos do Buíque, suas terras, sua gente. 1991. Pág. 38).

À igreja cabia a responsabilidade de proceder aos registros de batismo dos paroquianos, registros que, no Brasil, até 1889, eram os únicos documentos para certificar a existência de um indivíduo, fazendo as vezes de registro civil de nascimento. Imprescindível para garantir aposentadorias. Era igualmente responsável pelo registro dos títulos de terras a partir da promulgação da Lei de número 601 de 18 de setembro de 1850, que regulamentou a situação jurídica da propriedade. Também os alistamentos militares eram feitos nas paróquias, e muitas delas manifestavam “repugnância” pelo serviço que veio substituir o sistema de alistamentos. O registro da propriedade de animais também era de responsabilidade dos párocos.

Após 95 anos do fechamento das antigas portas frontais (esquerda e direita), o Pe. Antônio da Silva Ferreira, no final de sua passagem à frente da Paróquia, inicia a obra de reabertura das duas portas na entrada principal, tendo sido iniciadas a partir do dia 27/01/2020.

Referências:

  • Livreto da Festa de São Félix de Cantalice, Buíque-PE s/d.
  • Buíque: Uma história preservada | Virgínia Maria Almoêdo de Assis e Vera Lúcia Costa Acioly (2004).
  • Azevedo. CBA. Campos do Buíque, suas terras, sua gente. 1991.

SOBRE O AUTOR

Publicitário, fotógrafo e pesquisador da história buiquense.

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Comentários

  • Lusinete Maria de Melo. 27/12/2019 s 07:55

    Muito interessante , saudades do meu tempo de escola. Amava quando a professora dava aula falando da nossa querida cidadezinha.
    Minha eterna gratidão.

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