Capela de São Sebastião - Buíque

Capela de São Sebastião em Buíque Sede

A capela de São Sebastião em Buíque (Sede) foi construída em 1853, por intermédio do Frei Caetano de Messina e pelas mãos de cidadãos buiquenses. Como ocorrera à mesma época com a construção da matriz. Um ano depois, no quintal da capela, surge um cemitério improvisado, que serviria para sepultar vítimas da primeira epidemia de cólera Morbo que atingiu a cidade entre 1854 e 1855.

“[…] possui a igreja matriz, bom e elegante templo, cujo orago e S. Félix de Cantalice, erguido, primitivamente, em 1752, e reconstruído em 1853 por Frei Caetano de Messina; um cemitério com capela de S. Sebastião, serviços ainda devidos a esse mesmo zeloso missionário […]”. (¹GALVÃO, p.128, 1908)

A capela foi construída com a intenção prévia de proteger o povo contra a primeira epidemia de cólera morbo, iniciada em 1846 na Europa. A doença chegou ao Brasil em 1854, fazendo muitas vítimas fatais no Brasil e Venezuela. Serviu de consolo àqueles que perderam entes queridos e tornou-se símbolo de devoção aos que escaparam da doença. Os casos de morte no mundo findaram em 1860 e o cemitério por trás da capela foi desfeito. Sendo os restos transferidos para o cemitério da Sede.

Em 1869, a capela de São Sebastião, como a matriz, era utilizada também como ponto de apoio para as eleições municipais de vereadores e juízes de paz.

Os novenários se mostravam com grande volume de pessoas e quem desejasse assistir os cultos no interior da capela, tinha de garantir o lugar chegando bem antes do início. Pela tradição, uma procissão segue por algumas ruas do centro da cidade até chegar à capela. A área onde se estende a Praça São Sebastião (pátio de eventos) ficava lotada de pessoas. Havia barracas de lanche e artigos temáticos. Até a década de 90, os novenários eram numerosos. Mas perderam público gradativamente. Os fieis mais antigos mantém a tradição viva. Contudo, a presença dos jovens é reduzida em comparação a décadas anteriores.

As novenas de São Sebastião em Buíque ocorrem entre 11 e 19 de janeiro com missa no dia 20. Sendo também realizadas na povoação do Tanque (distrito de Guanumbi), na Aldeia Sede dos indígenas Kapinawá: Mina Grande e Aldeia Pau-ferro-grosso (no distrito do Catimbau).

 


¹ a publicação original foi feita em 1863, por Sebastião de Vasconcelos Galvão para o Dicionario Chorographico, Histórico e Estatístico de Pernambuco.

Referências: 

  • GALVÃO, Sebastião de Vasconcelos. Diccionario Chorographico, Historico e Estatistico de Pernambuco. 478p, Imprensa Nacional, Rio de Janeiro, 1908.
  • Decisões do Governo do Império do Brasil de 1869 – tomo XXXII, p.116, Seção – Ministério dos Negócios, do Império. Rio de Janeiro, 18 de Janeiro de 1869.
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Publicitário, fotógrafo e pesquisador da história buiquense.

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