Açude da Penha - Buíque

Açude da Penha ou Barreiro Velho

Nas primeiras décadas do século XIX até meados de 1854, só era encontrada água potável em Buíque no sítio Cigano, cuja carga de dois barris trazida sobre carroça custava 500 réis.

O açude da Penha foi construído em 1865, em virtude da Lei 625, determinada por Antonio Borges Leal Castello Branco, no dia 16 de maio daquele ano. Sendo autorizada a construção de dois açudes no termo de Villa Nova de Buique, em locais apontados pela Câmara Municipal. Sendo designado para cada um, a quantia de 2:000$ (dois mil réis).

O açude recebeu esse nome graças a uma lenda urbana que circulava entre populares. Dizem os antigos que uma imagem da Santa foi colocada naquele lugar e depois retirada e posta no cemitério da cidade. Contudo, a imagem sempre retornaria de forma misteriosa a uma antiga grota que havia no lugar do açude que ficou conhecido como o açude de Nossa Senhora da Penha. No entanto é sabido que histórias semelhantes envolvendo imagens de santos ocorreram em outros locais, sob intuito de promover a comoção popular em virtude da construção de capelas devotadas à imagem supostamente milagrosa. Algo semelhante ocorreu com uma imagem de São Félix de Cantalice na época do fazendeiro Félix Paes de Azevedo, quando Buíque ainda era somente a fazenda da Lagoa.

 No final do século XIX, havia nas proximidades do Açude da Penha, várias cacimbas; uma delas com água potável. Eram conhecidas como as “Cacimbas da Intendência”, e que muito serviu para os cidadãos. O açude tinha aproximadamente 100m de comprimento, foi aprofundado e ampliado, transformando-se em barragem durante a gestão de José Emílio de Melo (1956 a 07-09-1959) com custo de 35.748,00 CR$. Anos mais tarde, o açude recebe a alcunha de “barreiro velho” que entre 1971-1972, durante a gestão de João de Godoy Neiva, acabou sendo aterrado.

No mesmo período foi criada a galeria que se estende da Rua Cleto Campelo, cortando a lateral do açougue, passando por baixo do imóvel onde funciona o Candeeiros Bar e seguindo no sentido da feira-livre. Medida tomada para contenção do volume de água que nos períodos chuvosos desce por aquele trecho. Razão pelo qual as casas da Rua Osório de França Galvão possuem altos batentes para contenção do fluxo de água, que apesar das medidas tomadas ao longo do tempo, a água continuou a invadir residências nesse trecho, durante chuvas repentinas e intensas.

Nas propriedades da antiga Fábrica de doces Gaibu, foi criada outra cacimba, que serviu por longos anos até o início dos anos 2000. O açude da Penha teve grande importância para os moradores do centro de Buíque no passado. Porém, a Barragem do Mulungu representa a melhor garantia de abastecimento da cidade, atendendo além da Sede, Guanumbi e o povoado do Tanque.

Graciliano Ramos, no livro Infância (1945), descreve sua visão acerca do inverno no açude da Penha:

[…] Não se distinguia nenhum ruído fora a cantiga dos sapos do açude da Penha, vozes agudas, graves, lentas, apressadas, e no meio delas o berro do sapo-boi […] (RAMOS, Graciliano. p. 59-60)

Em 2021, no local onde havia o Açude da Penha, as poucas construções erigidas no trecho de terra que ficava submerso, exigiram a aplicação de pedras e muito cimento para conter a minação de água ainda existente no subsolo com pouco mais que 1m de profundidade.

 


Referências:

  • RAMOS, Graciliano, 1892-1953, Infância, posfácio de Octávio de Faria, ilustrações de Darcy Penteado. 17ª ed. Rio, Record, 1981. 275p.
  • DIARIO DE PERNAMBUCO, Pernambuco Comarca de Garanhuns – Carta particular. 14 jul. 1854, Ano XXX, nº159
  • JORNAL DO RECIFE. Lei nº 625. 23 de maio de 1865, ano VII, nº 119.
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Publicitário, fotógrafo e pesquisador da história buiquense.

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