A revolta dos cavalos em novembro de 1837

Em 26 de novembro de 1873, o centro de Buíque virou palco de um grande motim. A população revoltou-se contra a nova Lei de matrícula dos cavalos pegou todos de surpresa. Sem que houvesse qualquer consulta do interesse público e em desacordo com as premissas constitucionais, foram afixados os editais à porta da igreja de São Félix de Cantalice para que todos tomassem conhecimento das proposições estabelecidas.

A notícia espalhou rápido e ao invés da submissão aguardada pelas autoridades provinciais. Homens e mulheres armaram-se com cacetes e peixeiras afiadas para protestar contra os absurdos impostos. A polícia armada apareceu para restabelecer a ordem diante da daquela movimentação que aos poucos ganhou maior volume. A população estava enfurecida e assim partiu contra a força policial, tal qual uma manada de cavalos selvagens que fez a polícia ficar em desvantagem.

“[…]Eis ahi está, Sr. Lucena, os fructos da falta de criterio com que sanccionou a celebre lei da matricula dos cavallos, que tão pouco consultou os interesses do publico e a qual addcionou o ainda mais celebre regulamento, sem respeito e consideração a constituição.[…]” (A província, 1873)

Muitos dos paisanos saíram feridos, três deles em situação grave. Outros doze, tiveram contusões e escoriações pelo corpo. Não havia reforço que pudesse ajudar na contenção dos enfurecidos. Toda a guarda se viu obrigada a recuar diante dos revoltosos que encontravam-se em maior número. Sem mais obstáculos, reuniram-se em frente à igreja e os batentes foram logo tomados – gritos de indignação e corpos ofegantes lançaram-se contra os editais fixados à porta. E assim, como quem rasgara a bandeira inimiga. Naquele instante, havendo recuado a polícia local, a autoridade passou a ser o povo.

No entorno da igreja, curiosos limitavam-se a observar pelas janelas, a meio corpo nas portas e janelas, alguns grupos em calçadas de residências e pontos comerciais. Todos fitavam os olhos para o mesmo lugar e ninguém fazia ideia de que aquele movimento entraria para a história da cidade, era “a revolta dos cavalos”.

A Lei provocou reações inesperadas em várias regiões nos arredores da vila. Por consequência da inesperada reação, a Lei acabou não vigorando. Não existem detalhes sobre o o conteúdo disposto nos editais. Contudo, é sabido que o povo vitorioso, acabou demonstrando com aquele gesto, uma breve amostra da força que representam quando estão juntos. revolta dos cavalos

Referência:

A Província, Matricula de Cavallos, 11 dez 1873. Anno II

SOBRE O AUTOR

Publicitário, fotógrafo e pesquisador da história buiquense.

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