Raízes judaicas - em busca da presença marrana em Buíque | Oqqbt

Raízes judaicas – em busca da presença marrana em Buíque

Albuquerque, Andrade, Alves, Araújo, Azevedo, Barros, Bezerra, Brandão, Carneiro, Carvalho, Cordeiro, Couto, Fernandes, Ferreira, Ferraz, França, Freire, Gomes, Lopes, Lucena, Monteiro, Oliveira, Pereira, Pinto, Ramalho, Ramos, Rodrigues, Sampaio, Tavares, Teixeira, Torres, Valença.

Esses são sobrenomes comumente encontrados em Buíque e também muito usados como “apelidos e sobrenomes” entre os judeus (integrantes do grupo étnico e religioso surgido das Tribos de Israel ou hebreus do Antigo Oriente) que vieram para o Nordeste brasileiro, a partir do período colonial.

A vinda dos judeus com os portugueses

Vieram primeiramente com portugueses como cristãos-novos, com a condição de não manifestar sua religiosidade de origem, devendo assim seguir o catolicismo imposto pelo povo ibérico recém convertido. Os judeus vieram fugidos da Europa por causa da perseguição religiosa (a chamada Santa Inquisição). Mais tarde, com os holandeses vieram novos grupos de refugiados judaicos “convertidos”. Os holandeses tomaram Pernambuco dos portugueses e adentraram por toda extensão do atual Estado.

Não há dados que comprovem sobre quando estiveram em terras buiquenses, mas ainda é possível encontrar alguns sinais da presença judaica, por meio de práticas e simbologias que acabaram sendo inseridas na cultura local.

A chegada de mais judeus com os holandeses

O período de domínio holandês, ocorrido na região Nordeste, começa de 1624-1625 com a invasão de Salvador (BA); continuando de 1630-1654 com a invasão de Recife e Olinda, período de grande resistência contra os inimigos, até serem expulsos em 1654 pelos portugueses. Nem todos os holandeses e judeus foram embora do país; muitos dos que ficaram sofreram maus tratos, passaram fome, morreram miseráveis ou fugiram para o sertão. Após a conquista sobre os holandeses, os irmãos Aranha Pacheco pediram como recompensa por terem ajudado na luta contra os flamengos (holandeses), grande porção de terras em sesmarias, os chamados Campos dos Garanhuns e os Campos do Buíque.

Os primeiros desembarques de judeus ocorreram na Bahia, que tinha o principal porto da época. Grande parte das famílias migraram para o Norte, instalando-se em Pernambuco e outros Estados do Nordeste. Durante o domínio holandês, mais judeus refugiados agora na Holanda, vieram para a região.

Porque fugiam de um país para outro?

Eles dominavam bem o Português, Espanhol e Holandês graças as migrações feitas pela Europa, provocadas pela santa inquisição (período em que a igreja católica julgava, condenava e com apoio dos governos convertidos, punia a resistência religiosa não cristã com torturas que levaram muitas pessoas a morte por negarem ou discordarem dos preceitos religiosos e morais impostos pela igreja. Os perseguidos e condenados foram enforcados, serrados ao meio ou queimados vivos sob a acusação de bruxaria ou algum outro tipo de prática considerada heresia.

O medo de serem pegos, fizeram-nos fugir para locais onde o catolicismo não tivesse qualquer influência, mas a igreja romana bem consolidada na Espanha passou a perseguir os não católicos e na década de 1490. A igreja creditava aos judeus a culpabilidade pelos problemas sociais e algumas catástrofes, a exemplo da Peste Negra. Além disso, consideravam a prática da religiosidade judaica, uma heresia. Com a inflamação da perseguição, os judeus migraram para Portugal.

Os judeus eram exímios comerciantes e ajudavam a intensificar as relações comerciais em Portugal. No entanto, em 1497, D. Manuel I – rei de Portugal, casou-se com Isabel de Aragão – herdeira dos reis unificadores da Espanha. Com a união vieram algumas exigências da coroa espanhola, inclusive a perseguição contra os judeus. Assim, o Rei D. Manuel disse que os Judeus deveriam escolher a conversão ou saída do país; optaram pela saída.  Então, o Rei mandou bloquear o acesso desses ao porto de Lisboa. Os judeus ficaram impossibilitados de sair de Portugal e foram coagidos à conversão. Nascia ali os novos-cristãos.

Os novos-cristãos (convertidos), passaram a fingir devoção católica em locais públicos e às escondidas, praticavam o culto. A essa prática secreta dá-se o nome de criptojudaísmo. E sabendo dessa ocorrencia, a igreja católica criou o Tribunal do Santo Ofício, que passaria a identificar os praticantes e a condená-los como hereges.

Perseguição aos cristãos-novos

Em 19 de abril de 1506, na Capela de Jesus, Mosteiro de São Domingos – Lisboa. Católicos acreditavam terem visto o rosto de Cristo. Contudo, um novo-cristão, indagou que se tratava apenas do reflexo de um crucifixo na parede, projetado pela chama de uma vela. O home fora interpretado como um total descrente a debochar da fé dos presentes e acabou sendo arrastado para fora da igreja e linchado até a morte. Depois desse fato, iniciavam-se as perseguições aos novos-cristãos. As razões atribuídas era a de que toda a situação desfavorável que o país passava se devia a pouca fé promovida pelos novos-cristãos. Portugal passava por um período crise provocado pela seca e pela peste.

Diáspora Judaica

A partir da grande perseguição aos novos-cristãos. Estes, conseguiram migrar para outros países europeus e fundaram comunidades nos Países Baixos (Holanda), Alemanha e sul da França, enquanto uma fração menor seguiu para a Inglaterra e Itália. Outra parte resolveu voltar para o Oriente Médio. A essa nova migração dá-se o nome de diáspora judaica.

O “Novo mundo”

Muitos dos novos-cristãos portugueses vieram para o Brasil, nos primeiros anos de colonização com a esperança do livre culto. Porém, os judeus pioneiros vieram em 1530, quando das invasões holandesas no Brasil. Em Pernambuco, os holandeses foram bem aceitos pelos novos-cristãos e tiveram o apoio também de vário grupos indígenas em troca da liberdade contra o império português que promovia a carnificina de nativos que ofereciam resistência e a proibição do livre culto ao judaísmo, permitido pelos holandeses. Estes que dominaram o Nordeste brasileiro por 24 anos.

Com a expulsão dos holandeses, a maioria dos judeus foram embora do país, parte dos novos-cristãos permaneceram como católicos e outra parte adentrou o sertão Pernambucano. Com isso, grande parte da população nordestina que descende de raízes judaicas, são descendentes dos novos-cristãos portugueses, ou seja, dos judeus convertidos que vieram de Portugal.

Holandeses em Buíque

No livro “Cronologia Pernambucana, vol.6” – há um trecho que confirma a presença dos holandeses em terras buiquenses. Eles teriam vindo em busca de minérios da região e, é muito provável que tenham vindo com vários judeus em sua companhia.

“Sempre se falava nas minas dos CAMPOS DO BUIQUE, onde, por sinal, tinham estado os holandeses, em procura de ouro, prata ou mesmo de salitre. Assim, Surrel, em companhia do coronel LEONEL DE ABREU E LIMA, na época, futuro dono da Fazenda Cabo do Campo, naquela região, fora explorar a nitreira buiquense.” (BARBALHO, Nelson. P. 66).”

Sinais que podem sugerir a presença de novos-cristãos nos idos de Buíque

Estrela de Davi na fachada duma residência na rua Manoel Camelo Pessoa Cavalcanti

Uma estrela ao lado de um discreto pergaminho que parece fazer alusão à torá, compõe a fachada da residência de número 49. Nada de incomum, se não pela simbologia que ambos representam. São símbolos típicos do judaísmo. É desconhecida a intenção de quem construiu as casas usando esses símbolos na fachada, se a pessoa era adepta do judaísmo ou se carregava consigo alguma herança cultural familiar.

Nos primeiros séculos, Buíque serviu de moradia para portugueses, holandeses e inevitavelmente judeus trazidos por estes nas embarcações, quando do período colonial.

Com a destruição das antigas fachadas torna-se difícil encontrar sinais da presença de famílias judaicas no passado. Porém, há sinais discretos e comportamentos típicos que sugerem a presença desse povo na região e que com o passar dos séculos deixou resquícios de sua presença a pairar no inconsciente coletivo de várias famílias. Confira a imagem abaixo:

Casa com estrela judaica - buíque

A herança de antigos oratórios

Oratórios são pequenas capelas feitas em madeira, geralmente com duas portinholas – objetos mantidos por várias gerações. São mais comuns de serem encontrados em cidades do interior, uns mais simples outros cheios de adornos, essas peças podem guardar informações preciosas sobre o passado, inclusive passar pistas importantes sobre quem os usava. Apesar de serem comuns em residências com devoção católica, entre os judeus era uma ferramenta indispensável para manter em segredo do culto judaico, distante da perseguição católica. Se você ver um oratório por aí com uma ou mais estrelas de 6 pontas ou algo próximo disso, é possível que tenha sido usado por um judeu.

Mais estrelas em fachadas de antigas residências no centro de Buíque

A religião judaica, não diferente de outras religiões, é muito rica em seus simbolismos, é uma das religiões mais antigas do ocidente e é conhecida como a primeira religião monoteísta do mundo (que prega a existência de um só Deus). A estrela de Davi, a menorá, o chai, a torá, o mezuzah, o shofar, a mão de fátima – também conhecida por hamsá, são exemplos dos mais usados pela comunidade e aparecem em fachadas de residências, em forma de amuletos.

No período colonial, a conversão forçosa ao catolicismo impedia os judeus de manifestar qualquer prática de sua religiosidade de berço. Assim, fingiam ser cristãos convertidos e disfarçavam o uso de suas simbologias discretamente para não escancarar sua verdadeira fé. Assim, em fachadas de casas, muitos, marcavam os adornos com estrelas. A estrela de Davi possui 6 pontas, mas alguns usavam estrelas de 5 pontas (ou pentagrama) e associavam sua significação às 5 chagas de Cristo. Um símbolo direto do catolicismo.

Em Buíque há imóveis com fachadas que apesar de vários reparos e reformas realizadas, resistem ao tempo e encerram em si resquícios discretos sobre o passado da cidade, mas que têm muito a revelar. No centro, em frente a praça Vigário João Ignacio, dois prédios que hoje se resumem a farmácia do trabalhador e o bar de Zé de Davi (prédio 1) e o ateliê Maravilhas de Pernambuco, da artesã Quitéria Francinete e a farmácia São Félix – administrada por Mário Jorge (prédio 2). Estas construções possuem no topo de suas fachadas duas grandes estrelas de 5 pontas ao centro de uma armação em formato piramidal. É o que sobrou dos quatro casarões construídos por Severino de Souza Padilha.

Os outros dois prédios foram totalmente modificados, sendo o terceiro deles os pontos comerciais entre a Câmara de Vereadores e a farmácia São Félix; o quarto e último prédio, a própria Câmara Municipal de Vereadores.

Casas de Severino de Souza Padilha - buíque

As estrelas dessas fachadas (imagem acima) são idênticas a que aparece na foto abaixo, na residência que pertenceu a Luís de França Monteiro na década de 1950:

Casa - Luís de França Monteiro - Buíque 1950

O uso da grande estrela de cinco pontas pode ser interpretado sobre vários significados. Porém, nenhum conclusivo. Entre esses significados, há um direcionamento que pode estar associado a tradições familiares remotas.

Os novos-cristãos disfarçavam seus símbolos com elementos que os permitisse serem explicados com várias interpretações não judaicas, mas que preservavam parte de sua essência simbólica real. Vale ressaltar que no caso das 4 grandes estrelas, trata-se apenas duma suposição e talvez uma possibilidade, mas que deixa interrogações pairando no ar.

De acordo com Socorro Padilha, neta de Severino de Souza Padilha, cada uma das 4 casas marcadas pelas grandes estrelas de 5 pontas, teria sido feita para cada um dos filhos de seu avô. As estrelas podem estar vinculadas à simbologia das 5 chagas de Cristo ou à estrela de Belém, quando do nascimento de Cristo. Os antigos também inseriam estrelas nas fachadas para servir como elemento de proteção contra mau-olhado ou maus agouros.

O uso de estrelas como símbolos de proteção, também era usado pelos judeus, contudo, usando a estrela de Davi (tendo essas 6 pontas e comumente usada como amuleto). Nesse caso, acaba-se ocorrendo um emaranhando de significações acerca desse símbolo tão comum. Por isso, identificar práticas judaicas oriundas do passado, carece de ir além dos sobrenomes – apesar de haverem os mais usados entre os antigos judeus, há outros menos usados, mas presentes. Com minúcia necessita-se haver um somatório significativo de costumes e práticas incomuns para enfim, chegar a conclusões precisas.

O casarão onde residiu Luís de França Monteiro, como tantas outras fundações históricas de Buíque, não existe mais. Posteriormente, foi construído um prédio em que funcionou a sede da Rádio Social São Sebastião – serviço que fazia uso de alto-falantes para transmissão de mensagens, comunicados e músicas. Atualmente (2020), o mesmo imóvel – bastante modificado, comporta os bares de Zé Branco e dos Camelinhos.

Símbolos judaicos

Estrela de Davi

Estrela de Davi – Símbolo da proteção divina, também chamado de escudo de Davi. Cada uma das 6 pontas representam o governo de Deus sobre o universo em todas as direções.

Torá

Torá – É a Bíblia Hebraica, e contém os livros do judaísmo que inclui doutrinas, leis, mandamentos e histórias.

Shofar

Shofar – Um chifre de carneiro que representa o ano novo judaico e a lealdade de Abraão a Deus.

Mezuzá

Mezuzá – Talismã de proteção (objeto contendo um texto sagrado); representa a fé judaica. É usado a direita das portas das casas e são tocados antes das pessoas entrarem em suas habitações.

Kipá

Kipá – É uma espécie de touca utilizada pelos judeus tanto como símbolo da religião como símbolo de temor a Deus.

Menorá

Menorá – Um candelabro com 7 pontas que representa em si a iluminação da Torá para o povo judeu; a clareza da verdade e a luz para a fé judia.

hamsá

Mão de Fátima ou Hamsá (no slamismo) – No judaísmo é utilizada como amuleto de proteção contra o mau-olhado.

Chai

Chai – Representado por letras do alfabeto hebreu chet e yud. Significa “vida”. É usado como medalhão protetor, pendurado no pescoço. As letras equivalem ao número 18, o número da sorte no Judaísmo.

Identificando costumes dos antigos judeus:

O sobrenome apenas, não quer dizer muita coisa, a não ser que sejam complementados com algumas práticas incomuns em comparação aos hábitos católicos, algumas delas até incorporadas ao catolicismo. Porém, estes são alguns dos sinais que apontam possível origem judaica:

  • 01 – Algum parente antigo comentava sobre origens judaicas?
  • 02 – Tradição de não comer carne de porco;
  • 03 – Uso de oratório (casinhas de oração feitas em madeira);
  • 04 – Acendimento de velas com orações em linguagem estranha;
  • 05 – Casamentos endogâmicos – entre primos, tios com sobrinhas;
  • 06 – Costume de varrer a casa da frente da casa para o quintal;
  • 07 – Rezar pra a lua nova;
  • 08 – Depositar pedrinhas em túmulos;
  • 09 – Frequentava igreja (mesmo católica), mas que não tinha imagens?
  • 10 – A igreja que frequentava, tinha divisões para homens e mulheres?
  • 11 – Alguém da família participava de reuniões secretas, grupos de orações composto somente por homens?
  • 12 – Os familiares mais antigos tinham em sua maioria, nomes bíblicos?
  • 13 – Nas sextas-feiras, eram acendidas velas à noite?
  • 14 – A casa era faxinada durante o dia das sextas-feiras?
  • 15 – Na páscoa, celebrava-se a data com jejum?
  • 16 – Nos sábados, eram acendidas velas diante do oratório e queimadas até o fim do dia?
  • 17 – Evitavam trabalhar aos sábados. Tomavam banho e vestiam roupas novas?
  • 18 – Quando acontecia algum ruim, rasgavam-se as vestes?
  • 19 – Varriam a casa da frente para os fundos?
  • 20 – Pediam a benção dos pais, antes de sair e na chegada. A bênção era feita com a mão na cabeça?
  • 21 – O dia judaico era marcado pela noite do dia anterior. Assim o sábado ocorria quando a primeira estrela surgia no céu da sexta-feira. Alguns judeus fitavam essa estrela em segredo e para as crianças não revelarem qualquer informação, diziam a elas que se contassem estrelas no céu nasceriam verrugas em suas peles. Isso ocorria com os mais antigos de sua família?
  • 22 – Era um hábito dos antigos deixar restos de grãos nas lavouras destinados aos mais pobres.
  • 23 – Emprestavam dinheiro e objetos com juros? Tinham interesses em pedras preciosas e comércio? Trabalhavam em excesso e eram gananciosos?
  • 24 – Antes de beberem, jogavam um pouco de bebida para o santo?
  • 25 – Usavam estrelas de 6 pontas em paredes, joias ou em forma de amuletos?

Comportamentos comuns para nascimentos

  • 01 – Quando estava para nascer crianças na casa, colocavam a cabeça de um galo em cima da porta do quarto onde ocorreria o nascimento?
  • 02 – Após o nascimento da criança, a mãe permanecia de repouso na cama e sem contato com outras pessoas?
  • 03 – Após o nascimento de uma criança, a mãe comia frango durante 30 dias (manhã, tarde e noite)?
  • 04 – No primeiro banho do bebê, era lançada uma moeda prateada na água?
  • 05 – O batismo era realizado 8 dias após o nascimento da criança?
  • 06 – Após o batismo, era raspado o óleo da crisma e colocado sal na boca da criança?

Rituais praticados durante casamentos

  • 01 – Noivos e padrinhos jejuavam no dia do casamento?
  • 02 – Durante a cerimônia, as mãos eram cobertas por um pano branco?
  • 03 – Após a cerimônia, realizavam uma refeição a base de pão sem fermento, sal, ervas, mel e vinho?
  • 04 – Nos noivos comiam no mesmo prato e bebiam no mesmo copo?

Alimentação

  • 01 – Era comum a realização de jejuns?
  • 02 – Havia proibição em alimentar-se de carne com sangue?
  • 03 – A lâmina da faca usada para abater animais era testada na unha?
  • 04 – Os ovos que apresentassem manchas de sangue eram descartados?
  • 05 – Qualquer pedaço de pão que caíssem no chão era beijado?

Como lidavam com a morte

  • 01 – Lavavam o corpo do ente morto para depois o enrolar com tecido (mortalha) e enterrar sem caixão?
  • 02 – Tinham o costume de jogar fora a água dos potes e vasos da casa quando morria alguém que nela morasse?
  • 03 – Cobriam os espelhos da casa durante o luto?
  • 04 – O defunto era vestido com roupas brancas?
  • 05 – O defunto era velado por 1 dia e em seguida era levado em procissão até a igreja e depois ao cemitério?
  • 06 – Familiares jogavam um punhado de terra sobre o caixão quando este era baixado à cova?
  • 07 – Após a saída do defunto, a casa inteira era lavada?
  • 08 – O quarto do finado permanecia iluminado por uma semana? Enquanto a casa permanecia fechada ao máximo com incensos espalhados pelos cômodos, sem que houvesse entrada e saída de pessoa?
  • 09 – Era colocada comida perto da cama do falecido?
  • 10 – A cama era forrada com linho e durante 1 ano eram queimadas velas ao lado desta?
  • 11 – As parentes mulheres, cobriam o rosto com uma manta em sinal de luto?
  • 12 – Davam esmolas a cada esquina antes do cortejo fúnebre chegar ao cemitério?
  • 13 – Jurava pela alma do morto, do pai ou da mãe?

Se você tem um dos sobrenomes acima listados e tem conhecimento de relatos familiares sobre algumas das práticas listadas acima ou reconhece as figuras acima em objetos antigos deixados como recordações familiares, pode ser que você descenda de uma das muitas famílias judaicas que vieram para Pernambuco. Boa parte dos judeus vieram primeiramente com os portugueses, mais tarde chegaram outros grupos com os holandeses e assim habitaram todo o Nordeste brasileiro e espalhando-se para o resto do Brasil.

Este post foi criado com intuito de oferecer aos cidadãos buiquenses pistas sobre como identificar traços da cultura judaica que podem ter passado por despercebido para muitos ao longo dos séculos mas que se mantém presentes. Algumas práticas secretas dos antigos marranos ou novos-cristãos, foram incorporadas até mesmo na cultura de famílias católicas; outras permaneceram exclusivas às famílias originalmente judaicas.

Ainda há muito o que descobrir e várias lacunas permanecem repletas de interrogações. Mas aos poucos, fragmentos do passado ressurgem como uma planta que renasce a partir de velhas raízes soterradas pelo tempo.

Caso tenha alguma informação relevante, digna de ser compartilhada, envie mensagem para: contato@oqqbuiquetem.com.br ou comente no formulário abaixo.

Referência:

  • Você tem raízes judaicas? Guia prático para você descobrir suas raízes judaicas. FREUND, Michael e BIRNBAUM, Rabino Eliahu. Shavei Israel, 2015. Disponível em: https://shavei.org/wp-content/uploads/2016/08/LIBRO-RAIZES-PORTUGUES-WEB.pdf. Acessado em: 18.01.2020.
  • BARBALHO, Nelson. Cronologia Pernambucana. Vol. 6. Centro de Estudos de História Municipal, Fundação de Desenvolvimento Municipal do Interior de Pernambuco, 1982.
  • Site: Dicionário de Símbolos. Link: https://www.dicionariodesimbolos.com.br/simbolos-judaicos/. Acessado em: 17.01.2020
  • Site: wemystic. Link: https://www.wemystic.com.br/simbolos-judaicos/. Acessado em: 17.01.2020

SOBRE O AUTOR

Publicitário, fotógrafo e pesquisador da história buiquense.

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Comentários

  • Gerson Carlos Correia Rocha 19/07/2020 s 20:21

    Minha mãe é nascida em Buíque filha de mestiço indígena( avó da minha mãe) com judeu( avô da minha mãe)…a mãe da minha mãe, no caso minha vó também indígena da região!

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