Raríssima obra litúrgica de bolso, compilada por Aureliano Deodato Brasiliensi e editada pela icônica casa B. L. Garnier. Este opusculum serviu como guia essencial para o clero brasileiro no final do Império e início da República, unindo extratos do Missal e do Ritual Romano em um formato portátil para missões e auxílio espiritual domiciliar.
Este exemplar integrou o acervo pessoal do Padre José Kehrle, missionário alemão cuja trajetória em Buíque consolidou um legado de profunda abnegação e zelo pelas populações mais vulneráveis. Antes de radicar-se definitivamente em solo buiquense, o ilustre sacerdote figurou como protagonista e rigoroso examinador dos fenômenos marianos no Alto do Sítio Guarda (Vila de Cimbres, Pesqueira-PE), iniciados em 6 de agosto de 1936. Sua transição para Buíque marcou o início de um ministério voltado à caridade, tornando este objeto uma relíquia histórica de sua missão humanitária e espiritual na região.
Citação Bibliográfica (ABNT):
BRASILIENSI, Aureliano Deodato. Vademecum sacerdotis: opusculum ex Missali necnon Rituali Romano. Rio de Janeiro: B. L. Garnier, 1891.
Material sob proteção física do Ponto de Cultura Oqqbuiquetem.
Registro Fotográfico • Vista Frontal (1891)
Fragmento do Miolo • Detalhe do Conteúdo Litúrgico Original
Acervo sob custódia: Registros de integridade física realizados em janeiro de 2026.
O Vademecum Sacerdotis (em tradução livre, “Vem comigo, sacerdote”) é um manual de bolso litúrgico de extrema relevância para a história do clero no Brasil do final do século XIX. Publicado em 1891 pela prestigiada editora de B. L. Garnier, no Rio de Janeiro, o livro funcionava como uma ferramenta prática e portátil para os presbíteros, contendo as partes essenciais do Missale Romanum (Missal Romano) e do Rituale Romanum (Ritual Romano). A obra surgiu em um momento de transição no Brasil: logo após a Proclamação da República e a separação entre Igreja e Estado (1890). O autor, Aureliano Deodato Brasiliensi, organizou este opusculum (pequena obra) para facilitar o exercício do ministério sacerdotal fora das grandes catedrais, sendo ideal para: Atendimentos domiciliares: Como a unção dos enfermos e batismos de emergência; Viagens Missionárias: Onde o transporte de volumes pesados da liturgia oficial era inviável e Padronização Litúrgica: Reforçava o “Ultramontanismo”, movimento que buscava alinhar estritamente as práticas brasileiras com as normas de Roma.
O fato de ter sido editado por Garnier — o mesmo editor de Machado de Assis — confere à obra um valor bibliográfico notável, demonstrando que a literatura religiosa também ocupava o topo da cadeia de produção gráfica de luxo da época (capas em couro, gravações em alto-relevo e papel de alta qualidade).