Serra das torres - Catimbau

Buíque é a porta de entrada do Parque Nacional do Catimbau, instituído sob Decreto de 13 de dezembro de 2002, com intuito de preservar ecossistemas naturais existentes na região, permitindo a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades educacionais, ambientais e de turismo ecológico. O Parque abrange ainda terras de Tupanatinga, Ibimirim e Sertânia; tem sua valoração não apenas na beleza paisagística, como também nas formações e abrigos naturais, diversificada flora e fauna características do bioma caatinga – exclusivo do Nordeste brasileiro. Além disso, a área do Parque contém vestígios arqueológicos de enterramentos, registros rupestres e materiais líticos – principal motivação para a geração de fluxos dos segmentos de turismo pedagógico, ecológico e cultural que ocorrem atualmente.

O Parna Catimbau é reconhecido como um dos mais importantes conjuntos de sítios arqueológicos do Brasil, compreendido como um dos caminhos de dispersão dos povos da Serra da Capivara, no Piauí; teoria baseada nas semelhanças entre os sítios arqueológicos estudados, no qual observa-se a chamada tradição Nordeste, apresentando figuras humanas com tamanhos que variam entre 5 a 15 centímetros, em movimentos que remetem a luta, caça, dança ou sexo.

No Catimbau, também são encontradas pinturas identificadas como: tradição Agreste; feita com traços mais geométricos (abstratos) de difícil identificação temática. Quando possível a identificação dos símbolos, observa-se que as figuras – homens e animais, são maiores que na tradição Nordeste, apresentando traços mais grossos.

Registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, os sítios arqueológicos são definidos e protegidos pela Lei nº 3.924/61, sendo considerados bens patrimoniais da União. Define-se por sítios arqueológicos as jazidas de qualquer natureza, origem ou finalidade, que representem testemunhos da cultura dos paleoameríndios. Os sítios são identificados por cemitérios, sepulturas, locais de pouso prolongado, de aldeamento ou depositário cerâmico, além das inscrições rupestres, locais e demais vestígios de atividade relacionada aos paleoameríndios.

Buíque apresenta sua força turística calcada ainda nas comunidades tradicionais. No acervo antropológico/cultural dos remanescentes quilombolas – em processo de reconhecimento pela Fundação Palmares do MinC, como Farçola e Comunidade da Serra do Catimbau, sendo apenas a do Mundo Novo, reconhecida até então. Na reserva indígena Kapinawá, cuja aldeia sede é a Mina Grande, conserva-se vasta gama de expressões culturais que vão desde a capela advinda da adoção/imposição da crença cristã católica, até o toré: sua expressão máxima de religiosidade ancestral mantida pelo preço de muitos entraves. O toré é realizado numa Gruta Sagrada da Serra da Mina Grande que faz divisa com o município de Tupanatinga.

 


Referências:

  • Governo do Estado de Pernambuco/Secretaria de Planejamento e Gestão Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco. Plano Diretor Participativo do município de Buíque. Documento Técnico, vol. 01, Ed. Techne: engenheiros e consultores, dez/2010.
  • SOLARI, Ana; PEREIRA, Anderson Alves; ESPINOLA, Carolina Sá; MARTIN, Gabriela; COSTA, Ilca Pacheco da; SILVA, Serafim Monteiro da. Escavações arqueológicas no abrigo funerário pedra do cachorro, Buíque-PE. Clio Arqueológica 2016, V31N1, pp. 105-135.