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Sítio Arqueológico Alcobaça

Alcobaça, origem do nome

Alcobaça é o nome de uma cidade portuguesa, do distrito de Leiria. Está localizada há 92km ao Norte de Lisboa (capital); existe desde os tempos dos Romanos e se constituiu entre os vales dos rios Alcoa e Baça.

É também o nome dado a um lenço feito em algodão com formato quadrangular, originalmente fabricado pela Real Fábrica de Lençaria e Tecidos Brancos de Alcobaça, estabelecida em 1744 na vila de Alcobaça em Portugal. A fábrica foi vendida em 1792 e durante a terceira invasão francesa, ocorrida em 1810 – foi consumida num incêndio.

No Brasil, era comum os antigos usarem tal lenço, chamado de alcobaça para cheirar o rapé (tabaco em pó). Na época da colonização, os indígenas cheiravam o rapé para se harmonizar com a natureza durante os ritos de pajelança. Porém, o uso do lenço era uma prática oriunda dos europeus. Ainda hoje os indígenas brasileiros usam o rapé, ao invés do tabaco, usam outros compostos de ervas. Na aldeia kapinawá incluem o alecrim que é inalado pela fumaça bastante alva, envolvendo o ambiente à volta.

Mas, o que isso tem a ver com o sítio arqueológico Alcobaça? A verdadeira origem de seu nome: portuguesa e não indígena como se acreditava até pouco tempo. A região do Alcobaça em Buíque, provavelmente foi nomeada por um antigo dono de terras daquela região. Comparando o solo arenoso encontrado na região à brancura do famoso lenço português de mesmo nome.

Localização

O Sítio Alcobaça, é um dos mais importantes sítios arqueológicos de Pernambuco e faz parte do Parque Nacional do Catimbau, sob a jurisdição do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Localiza-se na zona rural de Buíque, no distrito do Carneiro. O local é muito visitado por estudantes e pesquisadores atraídos pela grande quantidade de registros rupestres entre outros indícios da presença de comunidades primitivas que ali estiveram.

Para quem vem pela BR-232, chegando em Arcoverde (cidade vizinha), é necessário acessar a PE-270. Chegando ao distrito do Carneiro, deverá ainda percorrer 6km de estrada de terra, sentido Alcobaça (à direita). O pico dos 3 dedos é um ponto de referência facilmente identificado à distância.

Pinturas rupestres

O sítio está na parte baixa de um vale cercado por uma serra com formação em “U”, há 800m de altitude em relação ao nível do mar. Um antigo abrigo rochoso arenítico, com face voltada para o sudoeste; que reúne grande quantidade de pinturas rupestres compostas num painel com aproximadamente 50m de comprimento e altura média de 8 a 10m identificadas sob a tradição agreste.

As datações radiocarbônicas indicam o tempo das pinturas de 1766 a 1785 anos de existência. Contudo, há indícios de que o local tenha sido ocupado por humanos inicialmente há 4 mil anos.

Essa tradição é comum de ser encontrada na região agreste, os grafismos apresentam formas complexas, algumas com alto nível de abstração (grafismo puro), o que dificulta a compreensão dos elementos presentes. Mas, em alguns casos, é possível identificar formas antropomorfas (com traços humanoides), zoomorfos (em forma de animais) e fitomorfos (formatos vegetais).

Os grafismos mais complexos são intraduzíveis. A vida cotidiana dos antigos habitantes era bem diferente da atual. O que impede que seja dada explicação exata sobre o que as formas representam de fato. Há também um emaranhado de pinturas sobrepostas que dificultam ainda mais qualquer entendimento.

Os animais e plantas representados nas rochas, provavelmente são parte da dieta humana daquele período. As figuras humanas aparecem com discrição. Eram caçadores-coletores, ou seja, viviam da caça e da coleta direta de alimentos que encontravam ao longo do caminho, como o coco de licuri, tubérculos, raízes e frutos. Os abrigos eram usados como ponto de descanso e recebeu vários grupos com frequência por vários períodos.

É o segundo maior sítio arqueológico com grande quantidade de pinturas rupestres de todo Brasil, ficando atrás apenas para o boqueirão da Pedra Furada, em São Raimundo Nonato, no estado do Piauí.

Sítio arqueológico Alcobaça

O estilo de grafismo encontrado é bastante variado e sugere a passagem de vários grupos distintos em períodos diferentes. São representados em 4 cores: ocre, amarelo e branco. Sendo o ocre a cor predominante, obtida a partir da hematita, mineral comum da região rico em óxido de ferro. A cor amarela era obtida do barro e também hematita; o branco através do caulim e o preto, através de carvão ou ossos queimados.

Há pedras sobre o solo que foram se desprendendo com o passar do tempo, algumas delas com grafismos ocultos na base do solo. O abrigo é bem protegido contra a luz do sol e a chuva, o que manteve as pinturas bem conservadas. Vários indícios de fogueiras foram encontrados, prova de que o local era muito visitado.

Outros pontos turísticos visto à distância são o Pico dos 3 dedos, a Serra da Andorinha e o Morro do Chapéu.

Vegetação

A vegetação dominante é a caatinga arbórea. Uma das coisas que chama a atenção dos visitantes é a quantidade e variedade de cactáceas existentes no local, as mais comuns: coroa-de-frade, xique-xique, rabo-de-raposa, mandacaru e o caixa-cobri, espécie endêmica do Parque Nacional, encontrada em maior quantidade no Sítio Alcobaça.

Administração e visitação

Desde 2000, o local é administrado pela guia Maria Francilda (Cida). Para conhecer a trilha, é necessário agendamento por telefone. Os visitantes são divididos em grupos. No abrigo, os observadores acessam a área das pinturas em grupos de 10 pessoas por vez. Há trechos que não foram totalmente escavados e um grande volume de pessoas pode danificar possíveis resquícios arqueológicos sob o solo arenítico. Também é não é permitido tocar nas pinturas, o contato pode danificá-las. Assim, deve-se manter distância mínima de 1 metro do paredão.

Para contatar a administradora local, ligue ou envie mensagem via WhatsApp para: (87) 9 9117-7184.

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