O vigário caluniador de 1817

Com o término da Revolução Pernambucana de 1817 – último movimento separatista do período colonial, ocorrido na Capitania de Pernambuco. Viajou para o Recife, Francisco José Coelho Góes – o então vigário de Buíque. Sob a intenção de prejudicar seu inimigo pessoal: o capitão-comandante Antônio Cavalcanti de Albuquerque Melo¹.

O vigário acusara Antônio, juntamente com José Albuquerque Cavalcanti, Manoel Camelo Pessoa, André Cavalcanti de Albuquerque, Luís de Araújo, Francisco Antônio da Silva Francisco Lopes Freire e Manoel Monteiro da Rocha, de constituir um “conventículo”, ou seja, um complô revolucionário, no qual os encontros ocorreriam numa conhecida casa de palha, em que comumente ocorriam certas festividades.

As informações foram supostamente repassadas ao padre, por José Ferreira da Silva – um antigo sacristão português que dizia haver frequentes reuniões de cunho revolucionário, no qual via os envolvidos fazerem expressões simbólicas, a ele incompreensíveis.

Antônio Joaquim Coutinho – ouvidor da comarca do sertão e amigo do padre, fez a apuração da denúncia, levando-a adiante. Ouviu algumas testemunhas (escravos) que sob ameaça de serem levados ao tronco, confirmaram existir as supostas reuniões que resultaram na prisão de alguns dos acusados. Contudo, por pouco tempo devido à ausência de provas.

Santo do pau oco

Sobre o vigário, haviam acusações sérias, formuladas no juízo eclesiástico por Manoel Ribeiro da Silva, onde o sacerdote era apontado como indivíduo de má índole, “desacreditador de mulheres, estuprador e carregador de armas curtas”.

Caso encerrado

Dois anos depois, sem que nada fosse resolvido e após a chegada de Tomás Antônio Maciel Monteiro (novo ouvidor), o caso foi reaberto a pedido dos acusados do complô. O português Luís do Rego Barreto – militar e administrador colonial, mandou chamar Antônio Cavalcanti de Albuquerque Melo para esclarecer sua participação nas supostas reuniões.

As novas investigações concluíram que houve perseguição contra familiares dos acusados e coerções investidas contra as testemunhas, tanto pelo vigário, quanto pelo antigo ouvidor (seu amigo). Verificou-se que a tal casa de palha, era de fato usada para a promoção de danças de baião e outros festejos que costumava atrair vários moradores buiquenses. Isentados de qualquer culpa, Antônio Cavalcanti e demais acusados, desataram os nós caluniosos feitos pelo clérigo de amarga alma.

Referências:

  • ¹não confundir com o ex-prefeito de Buíque de nome homônimo ao do avô, no qual se refere o texto.
  • CABRAL, FLÁVIO JOSÉ GOMES. Vozes públicas, conflitos políticos e rebeliões em Pernambuco no tempo da independência do brasil. Tese (doutorado em História), Universidade de Pernambuco, Recife, 313f, 2008.

SOBRE O AUTOR

Publicitário, fotógrafo e pesquisador da história buiquense.

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