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Revolta dos quebra-quilos

Revolta dos quebra-quilos

O termo “quebra-quilos” surgiu em 1871 no Rio de Janeiro, após um episódio em que populares invadiram estabelecimentos comerciais que passaram a utilizar o novo sistema de pesos e medidas. Os revoltosos depredavam esses estabelecimentos aos gritos: “quebra-quilos! quebra-quilos!”.

“A expressão passou genericamente a indicar todos os participantes dos movimentos de contestação ao governo no que diz respeito ao recrutamento militar, à cobrança de impostos e à adoção do sistema métrico decimal.” (SOUTO MAIOR, Armando. op, cit., p. 56)

O movimento popular surgiu na vila de Ingá (Paraíba) a 31 de outubro de 1874 e se deu por oposição a novo sistema de pesos e medidas métrico decimal introduzido pelo império através da Lei nº1157 de 26 de junho de 1862, oficializada pelo então Ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, José Lins Vieira de Cansanção de Sinimbu.

Dez anos se passaram e em algumas partes do país o sistema pouco operante. O novo sistema impedia que os vendedores tivessem “lucros a mais por meio de artifícios”. Assim, elevaram os preços sobre os produtos para compensar a “perda” e, consequentemente, o Estado elevou a taxa de impostos.

Isso fez com que um paraibano, vendedor de rapadura, conhecido como João Carga d’água, liderasse um pequeno grupo que invadiu a feira do povoado de Fagundes – próximo a Campina Grande – sob a ordem de quebrar todas as medidas usadas por feirantes e estabelecimentos. Essas medidas haviam sido fornecidas pelo governo que nos dias de feira enviava representantes para cobrar os impostos. Era o início da revolta.

Vilas e povoados da Paraíba inflamaram-se a ponto de se alastrarem para os estados de Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte. O sistema vigente passaria a ser substituído pelo sistema métrico francês para medidas lineares, de superfície, capacidade e peso.

Assim, as medidas adotadas até então como o côvado, jarda e vara (lineares); a canada e o quartilho (de capacidade); o arretel, a onça e a libra (volume); o alqueire, a quarta e o celamim, usados no peso de grãos e farinha, se tornariam ilegais pela fixação do artigo 3º da Lei que promovia a pena de prisão de até 1 mês e multa de 100$000.

O “imposto do chão” que seria cobrado aos comerciantes que expusessem mercadorias à venda no chão e a alta nos produtos foram cruciais para provocar indignação nos consumidores que prontamente se mostram desfavoráveis as medidas decretadas pelo Império.

Contudo, a revolta era também aparada por uma superstição que circulava nos setores ruralistas, de que o decreto de 1872, tinha cunho demoníaco e por isso, a adoção do novo sistema provocava a ira da população que se sentia enganada e forçada a satisfazer a vontade dos comerciantes e da elite provincial.

Os revoltosos disseminaram entre si as razões de sustentar o movimento sob a premissa de suas crendices e as injustiças impostas pelo governo. Assim, continuaram a apoderar-se das balanças de estabelecimentos nos dias de feira, para em seguida quebrá-las e jogá-las fora.

Desse episódio, surgiram outros movimentos semelhantes e todos os ataques aconteciam no dia das feiras para impedir que os fiscais do governo coletassem os impostos.

Do início do povoamento ao final do segundo império, Buíque não aparece em qualquer outro movimento político ou social de grande repercussão ocorrido nesse período, a não ser durante a revolta quebra-quilos que se alastrou pelas vilas da região causando envolvimento popular massivo e preocupando as autoridades provinciais. Os adeptos formavam grupos que saqueavam feiras livres e unidades comerciais, além de destruir as balanças.

O Visconde do Rio Branco acusava o clero, principalmente os jesuítas, pela eclosão da revolta nas províncias nordestinas. Os bispos de Olinda e Maranhão foram processados por não aceitarem a ordem do governo imperial. E buscas policiais foram feitas no Colégio dos Jesuítas em Recife e nas moradias de alguns padres; o partido liberal também foi acusado de um possível envolvimento, mas todas as acusações eram infundadas.

“Fizeram-se prisões em massa, velhos e moços, solteiros, casados e viúvos, todos acorrentados e alguns metidos em coletes de couro, eram remetidos para a capital. Alguns desses infelizes, cruelmente comprimidos e quase asfixiados, caíam sem sentidos pelas estradas, deitando sangue pela boca.” (ALMEIDA, José Américo de. A Paraíba e seus problemas. João Pessoa: A União Cia. Editora, 1980. p. 219).

As autoridades só conseguiram conter as manifestações populares das 4 províncias nordestinas em janeiro de 1875. A punição para os prisioneiros acusados de serem quebra-quilos era o uso do “colete de couro” – um pedaço de couro cru envolto sobre o tórax e as costas; esse pedaço de couro era molhado e após secagem apertava contra o peito de forma a causar lesões problemas cardíacos e tuberculose.

Fontes:

SOUTO MAIOR, Armando. Quebra-quilos: lutas sociais no outono do Império. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1978.

AQUINO, Rubim Santos Leão de et al. Sociedade brasileira: uma história através dos movimentos sociais: da crise do escravismo ao apogeu do neoliberalismo. Rio de Janeiro: Record, 2011. p. 24-29.

Sobre o autor

Publicitário e pesquisador da história buiquense, interessado em artes plásticas, natureza e turismo de aventura.

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