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Primeiros achados arqueológicos do Catimbau

Primeiros achados arqueológicos do Catimbau

Em 1970, o administrador do cemitério de Buíque, Sebastião França, 40 anos, fez um importante achado para a arqueologia pernambucana. Movido pela busca de supostos tesouros antigos, de tanto procurar acabou encontrando algumas relíquias arqueológicas na Serra do Catimbau: um cemitério indígena com cerca de dois mil anos, datado posteriormente por técnicos da Universidade Federal de Pernambuco.

Sebastião chegou a escavar vários lugares em busca dos tais tesouros – um hábito comum de suas aventuras solitárias. Populares diziam que ele estava enlouquecendo. Pois, afirmava com veemência haver tesouros antigos enterrados na região. “Tenho certeza de que isso é coisa de fenícios no duro” – disse quando encontrou as ossadas. O achado não tinha nada relacionado com os fenícios. No entanto, a descoberta era de suma importância para compreender um pouco mais sobre como viviam as comunidades indígenas primitivas do semiárido.

O buiquense que encontrou os primeiros indícios arqueológicos do atual Parque Nacional do Catimbau, caminhava pelas ruas com uma pasta preta embaixo do braço, com diversas anotações. A ele é atribuída a escavação sob a base do abrigo da itaquatiara, nas mediações da Fazenda Porto Seguro – Serra dos Breus. Ali, nada foi encontrado abaixo do solo e, apesar de ter alterado a base daquela formação arenítica, a ação serviu para proteger um dos maiores painéis pectográficos (baixo relevo) da região. Pois, acabou ficando isolado do alcance humano.

Sebastião França - Colar de ossos

Marcos Albuquerque – arqueólogo, o estudante de arqueologia: Mauro; e o estudante de ecologia: Velêda, acamparam na base da serra, cortaram o terreno e encontraram várias fogueiras e camadas espessas de carvão. Na parte superficial, foram encontrados pedaços de cerâmicas não decoradas. No aprofundamento do solo: materiais líticos, facas feitas em pedra lascada e raspadores.

Próximo ao local da escavação, encontraram uma ossada humana completa, enterrada em posição fetal. As informações reunidas nas escavações permitiram a compreensão de que o local não era um sítio de habitação por haver poucos indícios de cerâmicas e outros materiais. Os achados figuravam dois períodos e grupos distintos. Os grupos mais antigos não dominavam o uso de cerâmicas e não possuíam habitação; os recentes, habitava nas proximidades e já dominavam a produção de cerâmica.

Antes das escavações, foram encontradas sobre as ossadas uma camada de folhas sobre outra de cinzas e mais uma de pedras. As ossadas eram cremadas antes de serem enterradas. Era comum que cremação não se consumasse por inteiro. Antes disso, muitos dos corpos, tiveram terra jogada sobre eles. A exemplo das 3 ossadas encontradas por Sebastião França, que estavam apenas chamuscadas.

Marcos Albuquerque

Os cadáveres eram enterrados dentro de balaios junto com seus pertences: pedaços de cerâmica e colares adornados com ossos e dentes de caititu (espécie de porco do mato).

Os grupos que por ali passaram ou viveram temporariamente, eram caçadores-coletores e alimentavam-se com recursos comuns da caatinga – ainda hoje existentes – a exemplo do babaçu, coco de licuri, jatobá e o mel de abelhas. A permanência nos locais variava de acordo com a oferta de alimento e água. Assim, as migrações ocorriam de acordo com as variações climáticas, períodos frutíferos e afluência dos rios.

Fontes:

Jornal do Commercio. Encontrados colares e cerâmicas em Buique. 13 de set. 1970.

NOBLAT, Ricardo. Revista Fatos e Fotos. O cemitério dos índios que correram há dois mil anos. 15 de out. 1970.

Sobre o autor

Publicitário e pesquisador da história buiquense, interessado em artes plásticas, natureza e turismo de aventura.

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