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Ovelhas na missa de independência

Ovelhas na missa de independência
Crédito: Museu Municipal de Buíque-PE

No dia 7 de setembro de de 1959, durante a tradicional missa campal da igreja de São Félix de Cantalice, feita em atenção a emancipação da independência brasileira. O padre Francisco Dera – primeiro padre da Sagrada Família a iniciar os trabalhos em Buíque, preparava-se para o rito da consagração da hóstia, momento em que surgem quatro ovelhas em meio à multidão. Assim, partiram em direção à base do púlpito, ali permanecendo por instantes.

Algumas senhoras com terço envolto às mãos oravam em silêncio, os demais aguardavam respeitosamente a passagem da consagração, enquanto as crianças dividiam a atenção entre as palavras do padre – acompanhado do então prefeito Blésman Modesto; o fotógrafo e os quatro animais. Mas, que não representavam incomodo algum. Então, no momento em que o padre ergue a hóstia sagrada, algo inusitado ocorreu: as ovelhas ajoelharam as patas dianteiras, como num sinal de reverência. Todos ficaram surpresos com a cena – algumas pessoas choravam, outras davam graças e glorificavam o nome de Deus diante do que acabavam de presenciar. O sobrenatural foi sentido por um gesto simples vindo de animais brutos, mas que têm seu peso simbólico no contexto bíblico e religioso.

No cristianismo, as ovelhas (ou cordeiro) figuram os seguidores de Deus ou as almas salvas pelo sacrifício de Jesus Cristo.

O único fotógrafo que ali se encontrava, também pasmo com a cena, não se ateve a registrar o momento de reverência das ovelhas. A única imagem que se tem, mostra os animais no local, mas já recompostos. Contudo, o que importa para os que estiveram presentes naquele dia, é o ato de fé. Para alguns menos crédulos –uma coincidência do acaso. O fato é que o patriotismo daquela data ficou em segundo plano.

A fé, com o passar dos anos parece ter se distanciado de muitos corações e mentes – desbotaram-se como na imagem que revela em seu enquadramento várias crianças que retratam em si, um pouco da essência duma comunidade simples e que apesar dos problemas enfrentados à época, alcançaram dias melhores. Com tal melhora, reduziram o espaço destinado aquela fé contrita que lotava missas e novenários, às distrações da modernidade.

Fonte: entrevista com Maria do Socorro Lucena Padilha (testemunha)

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Sobre o autor

Publicitário e pesquisador da história buiquense, interessado em artes plásticas, natureza e turismo de aventura.

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