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José Kehrle, biografia do Monsenhor de Buíque

José Kehrle, biografia do Monsenhor de Buíque

José kehrle nasceu em 19 de maio de 1891 em Rheinstetten, no distrito de Karlsruhe, estado de Baden-Wῡrttenberg e território histórico do sudeste da Alemanha. Filho de Jonhann Kehrle e Josephina kehrle. Estudou no Ginásio em Mergentheim e na Universidade de Munique. Veio para o Brasil em 1908, como estudante de medicina. Hospedou-se no Convento dos Beneditinos, em Olinda, e com a convivência com os Frades, sentiu-se inclinado à vida religiosa, abandonando o curso de medicina.

Ordenou-se Frade Beneditino no dia 14 de março de 1914. Depois de ordenado foi designado Pároco da cidade de Quixadá-CE. De lá foi para Floresta-PE como secretário do Bispado. Em 1919 foi nomeado Vigário de Rio Branco, antigo nome de Arcoverde-PE.

José kehrle e Lampião

Em 1922 foi transferido para Vila Bela, hoje Serra Talhada. Construiu ali a Matriz. O cangaceiro Lampião, tinha grande estima com o Pe. José kehrle. O único a quem o rei do cangaço se confessava. Ambos se conheceram em Vila Bela – Serra Talhada, quando o kehrle destacava naquela localidade como Vigário, tendo permanecido por 16 anos.

Em junho de 1923 ocorreu o casamento de uma prima de lampião, era Maria Licor Ferreira com Enoque Menezes. O cangaceiro e seu bando com cerca de 1 homens, invadiu o povoado de Nazaré, distrito de Floresta do Navio-PE. Queriam briga com os inimigos nazarenos.

José Kehrle evitou um possível derramamento de sague ao solicitar a saída dos cangaceiros daquele povoado. Pois, era esperada a chegada duma volante (policiamento) àquele lugar. Lampião atendeu ao pedido do padre e para não deixar barato, levou a sanfona que animaria o festejo, alegando que se ele e seu bando não podiam dançar, ninguém também dançaria no povoado. José kehrle permaneceu em Vila Bela até 1936, quando viajou para sua terra natal, na Alemanha. Alguns meses depois retornou ao Brasil e recebera um convite do Senhor Bispo de Pesqueira para ser secretário. Assim, acompanhou as aparições do Sítio Guarda no qual assistiu diversas aparições de Nossa Senhora das Graças.

Aparições de Nossa Senhora das Graças em Cimbres

Em 06 de agosto de 1936, uma notícia se espalhou entre os gentios de Cimbres. Duas meninas, Maria da Conceição (16 anos) e Maria da Luz (13 anos), colhiam sementes de mamona aos pés de um penhasco, próximo às suas residências, conversavam sobre o que fariam se os cangaceiros aparecessem naquele local? Ocorrera ali a primeira de quarenta aparições, duma figura feminina de aura iluminada próximo a uma pedra. Perguntaram quem ela era e a aparição respondeu “Eu sou a Graça”. As meninas voltaram para casa e contaram aos pais que foram até o local e nada viam.

Os padres que acreditaram na aparição sofreram retaliações e o pai de uma das meninas chegou a ser preso. Submeteram as meninas a testes psicológicos e foram diagnosticadas pelo médico Lydio Parayba como normais. kehrle foi indicado para investigar o caso. Sabendo que as meninas não eram alfabetizadas e para certificar-se de que realmente viam a santa. Foi até o local da aparição e fez perguntas as meninas de forma alternada, em latim e alemão e prontamente as meninas respondiam em português, repetindo a resposta dada pela santa. O ocorrido foi suficiente para comprovar a veracidade das aparições. Posteriormente, o padre foi avisado sobre suas futuras transferências e acerca da construção duma capela em Buíque.

Mais contribuições

Em 1937 foi nomeado pároco da Pedra, onde construiu a Capela de Boa Sorte – hoje, Venturosa. E, reformou a igreja velha daquela localidade que depois foi destruída.

Em 1938, foi transferido para Afogados da Ingazeira onde fez a pintura e reforma da matriz. Três anos depois, o Bispo exigiu sua transferência para Brejo da Madre de Deus. A população pediu ao mesmo por sua permanência, e como castigo o bispo o enviou para Belo Jardim. posteriormente foi enviado para Brejo da Madre de Deus.

Em 1941, durante o retiro, recebeu a ordem de assumir Moxotó que só se deu em 1942, permanecendo por cinco anos.

kehrle foi o primeiro vigário das seguintes cidades: Arcoverde, Pedra de Buíque, Afogados, Brejo da Madre de Deus, Belo Jardim, Serra Talhada e Moxotó. Chegou a Buíque em 1947 e exerceu grande apostolado de obras de Assistência Social até 1968. Em seguida solicitou sua desistência devido à idade avançada. A ele são atribuídas a organização do patrimônio foro da Matriz, a criação do mosaico da mesma e a arquitetura externa e interna. Construiu cinco casas para o Patrimônio, sua residência e a capela de Nossa Senhora das Graças; durante cinco anos trabalhou na construção do aprendizado agrícola com auxílio da Misereor alemã – obra episcopal da Igreja Católica da Alemanha para a cooperação ao desenvolvimento que busca fortalecer a iniciativa própria dos pobres. Foi presidente da Associação de Proteção e Assistência da Maternidade e Infância, contribuindo para a construção da Maternidade Alcides Cursino.

Tratava dos pobres especialmente, como um bom médico que era e tinha uma clientela de centenas de pessoas necessitadas que vinham se consultar e pedir remédios, alguns vinham de muito longe, até mesmo de outros estados como Bahia e São Paulo.

kehrle desenvolvia remédios homeopáticos, proibidos à época e por isso, uma de suas obreiras, conhecida por Santana, vendia os remédios em sua residência – o dinheiro era revertido à compra de remédios oriundos da Alemanha para o tratamento de vários tipos de doenças. Devendo servir para os pobres que se consultavam com o padre.

A residência do Pe. kehrle era muito frequentada. Em 1950, foi nomeado Cônego e em 1964 recebeu as honras de Monsenhor pelo Bispo Dom Severino Aguiar, quando completara 50 anos de ordenação – Bodas de Ouro Sacerdotais. Na mesma ocasião a Câmara de Vereadores de Buíque, concedeu-lhe o título de cidadão buiquense em solene reunião. Tendo em vista os anos de prestação de serviços à população, sua preocupação com os mais necessitados e doentes, oferecendo-lhes remédios para sanar ou aliviar as doenças e conforto espiritual.

Construiu em Buíque a capela em honra a Nossa Senhora das Graças, vizinha a sua residência (como proposto numa das visões de Nossa Senhora das Graças). Em oração pediu a Santa que enviasse sinais para saber se aquele era o lugar de construção da capela. Lá havia cavado um poço e a água jorrou límpida e azul da cor do céu por 3 vezes – era o sinal.

Capela de Nossa Senhora das Graças - Buíque-PE

Novenário de Nossa Senhora das Graças em Buíque

José Kehrle viveu por 31 anos em Buíque e em 1977 ocorreu a primeira festa de Nossa Senhora das Graças na capela erigida por ele. Doze pessoas fizeram parte desse evento. Faleceu 10 meses depois – a 06 de agosto de 1978. Foi sepultado no interior da capela e no dia de seu enterro todos os pobres diziam estar órfãos.

O novenário foi continuado e tornou-se um dos mais importantes eventos religiosos de Buíque. Ocorrendo entre os dias 17 e 26 de novembro e atraindo sempre um grande número de fiéis.

Fontes:

Documento datilografado por José Kehrle em 24 de maio de 1975, acervo do Museu municipal de Buíque-PE.

PAIVA, Ione Maria Cavalcanti. Aqui o céu encontra-se com a terra. Escola Dom Bosco de Artes. p. 193.

Sobre o autor

Publicitário e pesquisador da história buiquense, interessado em artes plásticas, natureza e turismo de aventura.

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