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História das aldeias Kapinawá

História das aldeias Kapinawá

O povo Kapinawá descende dos antigos Paraquiós, Carijós, Xocós e outros grupos que resistiram bravamente às imposições do império português e contra à invasão de fazendeiros em território indígena após terem sido expulsos e confinados em aldeamentos. Sua cultura foi dilacerada pelo homem branco. Mas, aos poucos foram recuperando antigos ritos e interligando as aldeias que têm origem dos povos indígenas que migraram pelo Sertão até o aldeamento do macaco. Poucos cidadãos buiquenses conhecem a história indígena local, seus costumes e aldeias. Segue abaixo a transcrição do capítulo “História das aldeias do povo Kapinawá”, presente no livro: Kapinawá – Território, memórias e saberes.

Mina grande: a origem do nome da aldeia como Mina Grande, deu-se por causa da presença de água mineral. Quando a nascente que abastece a aldeia foi descoberta, minava bastante água, tanto no período do inverno, como no período do verão. Até hoje, nos tempos de chuva, forma-se um riacho, que tem uma extensão de quase dez quilômetros com o excesso da água que sai da nascente, abrindo um extenso percurso. Ele também cria áreas de várzea (área alagada).

MACACO: segundo as pessoas mais velhas, a aldeia possui esse nome porque, antigamente, havia muito macaco nessa região. Essa aldeia é muito importante. Foi lá que existiu o Aldeamento Macaco. É um local de resistência. Os moradores e as moradoras do Macaco ajudaram na luta que aconteceu na aldeia Mina Grande, participaram do levantamento da aldeia Kapinawá.

Julião: o nome é Julião por conta de um senhor que morava na “Queimada Velha” – como era chamado o local anteriormente. Esse homem era chamado de Júlio Pilú e tinha um cachorro com o nome de Julião. Passado algum tempo, o homem morreu e ficou o cachorro solitário, andando de casa em casa. Quando o cão chegava nas casas, alguém falava: “Julião chegou”. Daí em diante o nome Julião foi adotado para a aldeia, substituindo o antigo nome “Queimada Velha”.

Coqueiro: as pessoas mais velhas que aqui moravam possuíam, como único meio de sobrevivência, o coco do ouricuri. Por isso, nome inicial do lugar veio como Coqueiro dos Marcos, pois Marcos também era o nome das famílias habitantes da aldeia. Em 2002, o cacique Zé Bernardo, conhecendo todo o sofrimento dessa comunidade e a origem de cada família, reconheceu a aldeia como sendo pertencente do povo Kapinawá, e o nome ficou mais usado pelas jovens e pelos jovens apenas como Coqueiro. O coco do ouricuri é comestível, também utilizado na extração de um óleo usado na culinária e na confecção de uma pasta muito saborosa, usada na alimentação, seja natural ou com mistura da mandioca no preparo do beiju.

Colorau: no começo, essa aldeia era uma parte da aldeia Ponta da Várzea. Nessa época, existiam funcionários/as da antiga Superintendências de Campanhas de Saúde Pública (Sucam) que falavam que as mulheres do lugar gostavam muito de usar roupas vermelhas e, por isso, passaram a chamar a aldeia de Colorau. As pessoas concordaram – até gostaram – e foi assim que nasceu o nome da aldeia.

Caldeirão: o nome da aldeia Caldeirão tem origem nos “caldeirões” de pedra que existem no lugar. São buracos que se originaram naturalmente com a ação do vento e das chuvas existentes nos serrotes. Eles enchem de água no período das chuvas, e essa água, antigamente, era usada para o consumo das pessoas mais velhas da aldeia.

Malhador: o nome da aldeia Malhador ficou conhecido porque, na época das pessoas mais velhas, o gado era criado solto no baixio do alto. Ao chegar à noite, o gado subia o alto para dormir e ficava amontoado em um único lugar, conhecido pelas pessoas mais velhas de Malhador do Gado, e, daí em diante, surgiu a aldeia, que ficou conhecida apenas como Malhador.

Quiridalho: o nome Quiridalho é uma referência à aldeia Quiri, onde existe um lugar sagrado chamado Serra do Pico. Nessa serra, existe a moradia dos índios e das índias que, com o passar do tempo, passaram a chamá-la de aldeia Quiridalho.

Riachinho: a aldeia Riachinho surgiu a partir da chegada de algumas pessoas que, aos poucos, foram formando uma pequena comunidade. São elas: Toinho, Cazuza, Maria de Pretinha, Mônica, Prejentina, Ernane, João Machado, Zozinha, Zé Caju, Vitalino, Nestrina, Joaquim, Caboclo, Dodó, Zé Fira, Vicente, Dalino, Sirino, Zefa Balai, Lô Balai e Zezinho. A casa de João Machado foi uma das primeiras construídas na localidade. Ele também passou um tempo morando na furna da aldeia Julião. Depois, retornou para Riachinho novamente, fez outra morada, de palha, perto de Bastião e até hoje tem a marca no chão onde ficava a casa, que era perto de um pé de jiquiri.

Batinga: o nome da aldeia está relacionado à árvore batinga, planta típica da região, presente em abundância na referida aldeia.

Pau-Ferro Grosso: a origem do nome dessa aldeia está relacionada à existência de uma árvore grande chamada pau-ferro. Daí a aldeia recebeu o nome de Pau-Ferro Grosso. Sendo assim, todos/as que já tinham muito respeito pela natureza, passou a cuidar e a preservar ainda mais aquela árvore que deu origem ao nome da aldeia. O pau-ferro-grande-dos-índios é uma árvore centenária, pertencente à nossa paisagem, guarda muitas histórias de nosso lugar, pois lá serviu de cenário para grandes rituais sagrados para o povo dessa localidade. Entre os moradores e as moradoras mais tradicionais daquela época, que moravam na parte que hoje é Pau-Ferro, eram Eugênio, João Eugênio, Mané Eugênio Cassiano, que era filho desse último, Ana, Sabrina e Delmira, esposa de João Eugênio.

Tabuleiro: as pessoas mais velhas contam que, antigamente, Pau-Ferro Grosso e Tabuleiro formavam uma única aldeia. No processo de povoamento, não havia Tabuleiro. Quem atribuiu essa nomeação foi a Funai no período que vieram fazer estudos de identificação do Território.

Baixa da Palmeira: a aldeia Baixa da Palmeira é a aldeia de Manoel Bento, que lutou muito no tempo o Corte dos Arames junto com suas filhas. Mesmo tendo participado fortemente do levantamento da aldeia Kapinawá, a Baixa da Palmeira ficou fora da demarcação inicial e hoje reivindica a regularização do Território.

Serrota II: antigamente, na Serrota II era apenas caatinga e, no ano de 1928, começaram a chegar as famílias que hoje se encontram na aldeia. Antônio Modesto de Araújo foi o primeiro. Com o tempo, chegaram também as famílias de Domingo, Pedro Raimundo e Pedro Rodrigues.

Igrejinha: Alfredo André de Souza foi um dos fundadores da aldeia Igrejinha. Conta que desde menino ouvia seu pai falar de índios e índias na região. Ao passar do tempo, com a perseguição dos fazendeiros, foram fugindo para a Serra dos Campos e Serra Negra. O restante permaneceu no local, e ainda continuam.

Gerônimo: no ano de 1920, Manoel Jorge, para chegar no Gerônimo, abriu roças e veredas desmatando. Ao passar do tempo, ele construiu sua casa, que foi uma das primeiras, e casou-se com Dorvigem Maria Izabel, com quem teve sete filhos e filhas. Naquela época, não existiam as coisas que têm hoje. As comidas eram pão de macambira, pão de mucunã, palmito de coqueiro, caça do mato e pão de alastrado – assim foi como criou seus filhos e filhas. Também havia um umbuzeiro conhecido como baixa da furninha. Nesse umbuzeiro, tinha um pilão que Seu Manoel falava que foram os índios e as índias que deixaram lá. As índias e os índios de antigamente foram embora para a Serrote dos Campos, onde era sua moradia, e onde até hoje existem letreiros, pinturas rupestres, entre outras marcas.

Fonte: Professores e professoras indígenas Kapinawá. Kapinawá – território, memórias e saberes. Centro de Cultura Luiz Freire, Olinda, 2016.

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Sobre o autor

Publicitário e pesquisador da história buiquense, interessado em artes plásticas, natureza e turismo de aventura.

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