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Encontrada pedra de 1753 usada para demarcar o patrimônio da Matriz de Buíque

Encontrada pedra de 1753 usada para demarcar o patrimônio da Matriz de Buíque

A 5 de fevereiro de 2019, por volta das 16h:30min, o Padre Antônio Ferreira e o pesquisador Paulo César Barmonte, seguiram até o trecho inicial da estrada que liga Buíque ao Riachão, para atestar a presença de uma antiga pedra fincada no solo de um dos terrenos situados à margem direita. Trata-se de um marco histórico que havia caído no esquecimento.

Durante uma entrevista o Pe. Antônio Ferreira no dia 10 de janeiro de 2019, recordou sobre certa vez em que seguia pela estrada, num veículo de lotação de passageiros, quando ouviu um senhor comentar sobre uma pedra no qual apontava a direção e dizia ter sido fincada ali para demarcar um dos limites das terras doadas por Félix Paes de Azevedo no início da povoação de Buíque. Na época, a pedra era facilmente vista por quem passasse pela estrada – logo após o cercado de um terreno com vegetação rasteira.

A curiosidade fez com que ambos: pároco e pesquisador, fossem de encontro a tal pedra. E lá estava… Envolvida por um arbusto espinhoso, invisível aos olhos de quem trafegasse pela estrada. A base externa deixava à amostra 30cm sobre o solo e outra parte quebrada com 40cm de comprimento ao lado de sua base de origem. A pedra de granito rosado mede em sua totalidade: 1,8m de altura x 30cm de largura; 9cm de espessura na base que se expande até os 15cm na parte superior, pesando cerca de 130kg. As coordenadas de sua localização são: Lat. -8.616112 | Long. -37.143734.

Provavelmente 4 delas tenham sido usadas para a demarcação das 1000 *braças quadradas doadas por Félix Paes de Azevedo em 1753, logo após a morte de seu irmão: Nicácio Pereira Falcão.

Marco da Matriz de São Félix de Cantalice - Buíque

Félix dividiu o terreno em duas partes: a primeira para os sobrinhos Julião de Matos Garcês e Francisca dos Prazeres. Sua parte foi doada, para tornar-se patrimônio da capela de São Félix de Cantalice construída em suas terras na Fazenda Lagoa.

Assim, a partir da capela de São Félix: seriam distribuídas 500 braças ao Norte (equivalente a 914,40m); outras 500 ao Sul e as mesmas medições para o Leste e Oeste. A fachada da capela era voltada para o lado Norte (e frente para a lagoa que dava nome à fazenda). Em 1853, a capela foi demolida e reconstruída com a fachada voltada para o leste (como é conhecida atualmente).

Tantos cidadãos ilustres e tomadores de decisões que moldaram a história da cidade passaram à beira daquela estrada e ela já estava lá. Quantos passaram sobre cavalos a trotar, caminhando, sentados sobre uma carroça ou escondidos por trás das janelas de um carro a fitar por alguns segundos uma simples pedra rosada, desconhecendo o real propósito dela estar ali. Era apenas mais uma pedra servindo como obelisco de um formigueiro e envolvida num forte abraço de espinhos, dado pela natureza a mando do tempo. Provavelmente, levada por um escravo sobre uma carroça puxada por um animal.

Tomando conhecimento sobre a pedra, o Secretário de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer – Esildo Barros Ramos, prontificou-se em providenciar sua remoção. No lugar, outra pedra mantém o local da marcação.

Com o passar dos séculos as demarcações caíram no esquecimento. Mas, graças as memórias de antigas conversas e lembranças compartilhadas, tornou-se possível o resgate desse marco histórico buiquense – oriundo do período colonial até a data de sua remoção: 11 de maio de 2019 – véspera do aniversário de 165 anos de emancipação política. A pedra desceu a rua São João Seminário, 267 anos depois, sobre uma carroça.

É apenas uma pedra. Contudo, de valor icônico que representa em si, a história vivenciada por várias gerações. Agora com novo endereço: o Museu Municipal de Buíque.

*Braça é uma antiga unidade de medida de comprimento que equivale a 10 palmos, o mesmo que 2,2m (Brasil). 1 palmo é igual a 8 polegadas que é igual a 22cm. No sistema de medição inglesa, a braça possui cerca de 1,8m.

Sobre o autor

Publicitário e pesquisador da história buiquense, interessado em artes plásticas, natureza e turismo de aventura.

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