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As sesmarias dos Aranha Pacheco

As sesmarias dos Aranha Pacheco

Sesmaria era o nome dado a um lote de terras concedidas a uma pessoa em nome do rei de Portugal. A iniciativa pretendia promover o cultivo de terras inexploradas. Esse tipo de concessão foi muito usado no período colonial, sendo abolida somente após o processo de independência, em 1822.

Heroi português em terras pernambucanas

Nicolau Aranha Pacheco era português, natural de Arcos de Vale de Vez. Em 1639, ainda no posto de capitão, foi reconhecido pela bravura na guerra contra os holandeses. Em 1645 destacava-se como agitador em Pernambuco e um provável incendiário de canaviais durante as guerrilhas contra as forças flamengas.

Comandou a Revolta do Penedo ao lado de Valentim da Rocha Pitta e Antonio da Rocha Dantas, conseguindo expulsar o comandante Samuel Koyn e seus aliados do forte Maurício, na região do São Francisco. Por este e outros serviços prestados, em 26 de janeiro de 1647, recebeu a mercê do hábito de Cavaleiro de Cristo.

Mercê é o mesmo que “recompensa”, que era concedida como reconhecimento da coroa por serviços prestados em prol do império. Não se convencendo de suas mercês, mediante sua contribuição.

Nicolau solicitou que reavaliassem seus feitos, inclusive os de seu irmão João Aranha, alegando que por menos, outros receberam volumosas mercês se comparadas as que ele recebeu.

Mestre de Campo

Em 1648, recebeu a patente de “Mestre de Campo” assinada por D. João IV, elogios e promoções. Mas Nicolau queria mais. Ele foi um grande sertanista e conhecia bem a região do São Francisco e Sertão do Ipanema. Contudo, os Campos do Buíque tornaram-se a “menina dos olhos” por conta dos brejos e das minas salitrosas, no qual desejava possuir, criar gado e povoá-los.

Sesmaria do Ipanema e Garanhuns

Em 29 de dezembro de 1658, André Vidal de Negreiros – Governador da Capitania de Pernambuco – lavrou uma carta de Sesmaria, no palácio de Olinda, no qual marcava as terras que hoje equivalem a Buíque, Pedra e parte de Arcoverde, constituindo-se uma Sesmaria de 20 léguas em 2 lotes salteados no Ipanema e em Garanhuns.

A carta documentava a doação dessas terras ao Mestre de Campo Nicolau Aranha Pacheco (herói da Guerra da Restauração – resultante da expulsão dos holandeses do território Pernambucano) e ao seu filho Antônio Fernandes Aranha; ao primo Ambrósio Antonio de Farias e ao genro: Cosme de Brito Cação.

Segunda sesmaria

Em 02 de dezembro de 1659, o Governador André Vidal de Negreiros assinou nova carta de sesmaria concedendo mais 10 léguas de terras divididas para os 4 já beneficiados no ano anterior com as 20 léguas. Agora os lotes divididos em intervalos, tornavam-se um único lote com 30 léguas de extensão.

A grande sesmaria dos Aranha incluía as terras dos municípios de Angelim, Brejão, Caetés, Garanhuns, Palmeirinha, Paranatama, Saloá, São João e Teresinha. Atravessando a Serra da Prata (no Sertão do Ipanema): Águas Belas, Buíque e Pedra.

Fazendas e Sítios

Nicolau é tido como o pioneiro civilizado na exploração dessas duas regiões que logo se encheram de vaqueiros baianos e gados trazidos dos arredores Rio São Francisco. Edificou casas e currais que logo tornaram-se povoados.

Nos Campos do Buíque, os Aranha fundaram a Fazenda da Lagoa, seguida da Puxinanã (inclui-se o sítio da Pedra), a Fazenda Grande (sítios Gravatá, Pilões, Macaco, Cachoeirinha, Cafundó, Lagoa do Negro, Lameiro e Cruz do Aranha), a Fazenda Serrinha (sítios Batinga, Cabo do Campo, Riacho do Confim, Olho d’água do mato, Mina Grande, Serra Batista, Salina e Santa Clara), Fazenda Mocó, Sítios Catimbau, Maniçobas, Mororó, Cachoeira e Panelas.

Na Serra dos Comunati, fundaram os Sítios Varginha, Salobro, Monjola, Passagem e também o Brejo do Caitetu.

Terceira sesmaria

O Mestre de Campo Nicolau Aranha Pacheco faleceu em 29 de outubro de 1670. Dez anos depois, em 1680, a família Aranha recebe do governador da Capitania de Pernambuco – Aires de Souza, uma carta de Sesmaria com 100 léguas de terras favoráveis a vários donos, entre eles o Capitão Cosme de Brito Cação e o Tenente Pedro Aranha Pacheco (filho de Nicolau Aranha Pacheco), todos residentes na Bahia. Esta foi uma das maiores sesmarias do Nordeste.

Não estando juntas, as sesmarias eram tomadas em partes ou nas sobras de outras datações até que se completassem as léguas doadas. Isso cria um grande emaranhado acerca das divisões das terras do período colonial até o presente momento.

É possível encontrar documentações de posses e doações de uma cidade nos cartórios de outras e isso dificulta qualquer investigação sobre a história dos municípios do Nordeste brasileiro. Há papéis nos cartórios de Cimbres em Garanhuns e Tacaratu, de Flores e Pilão Arcado em Serra Talhada, assim como de Águas Belas em Buíque e Penedo.

As sesmarias dos Aranha Pacheco, incluía as terras de Angelim, Brejão, Caetés, Garanhuns, Palmeirinha, Paranatama, Saloá, São João, Teresinha e já no sertão do Ipanema: Águas Belas, Buíque e Pedra.

Em 1697, aparecem as providências de estabelecer limite acerca da extensão do solo. Quando ordenou-se que apenas fossem doadas sesmarias de 3 légua por 1 de largura (em quilômetros, o mesmo que 14,4km x 4,8km).

Venda da Fazenda da Lagoa

Boa parte das terras dos Aranhas nos Campos de Buíque, destinaram-se a práticas agrícolas e pastoreio. A fazenda da lagoa, uma das que possui maior destaque – fora herdada por Pedro Aranha Pacheco. Após sua morte, a viúva Maria da Rocha vendeu as terras aos irmãos Félix Paes de Azevedo e Nicácio Pereira Falcão, a 19 de novembro de 1716.

Em 1753, logo após o falecimento de Nicácio Pereira. Félix Paes de Azevedo, doou metade das terras aos sobrinhos Julião de Matos Garcês e Francisca dos Prazeres – a outra metade foi recomendada à doação de mil braças quadradas que deveriam compor o patrimônio da capela de São Félix de Cantalice que, na época, encontrava-se em construção.

Fontes:

CAVALCANTI, Orlando. Terra dos Aranha. Diario de Pernambuco. Primeiro caderno, sábado, 16 de dez. 1967.

ASSIS, Virgínia Maria Almoêdo de. e ACYOLE, Vera Lúcia Costa. Buíque: Uma história preservada. 2004.

AZEVEDO, Cidinaldo Buíque de Araújo. Campos do Buíque – Suas Terras, Sua Gente. 1991.

Sobre o autor

Publicitário e pesquisador da história buiquense, interessado em artes plásticas, natureza e turismo de aventura.

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