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A besta peluda que assombrou a Cruz de São Benedito

A besta peluda que assombrou a Cruz de São Benedito

Entre as décadas de 60 e 70, na Vila de São Benedito, em Buíque. Ocorreu um estranho fato. Narram os antigos sobre a aparição de uma besta peluda em plena noite da Sexta-feira da Paixão – feriado muito respeitado entre os Cristãos. Uma das tradições praticada entre os locais era a “entrega do jejum” que, consistia em doações ou troca de iguarias típicas do período para os mais pobres ou entre vizinhos.

Dona Mariana, mãe da jovem Lenira, pediu-lhe que levasse a oferta de jejum para algumas pessoas. Contudo, a vontade da moça naquele dia, era banhar-se nas águas do sumidouro – um açude próximo de sua casa, conhecido como local assombrado por antigos espíritos. Contrariando o pedido da mãe, Lenira fez valer sua desobediência, satisfazendo a própria vontade, seguindo direto para o velho açude.

Passaram-se algumas horas e ninguém tinha notícia sobre o paradeiro de Lenira. Ao escurecer, por volta das seis horas da tarde, a preocupação de Dona Mariana teve a atenção desviada para um estranho acontecimento: o som de várias pedradas sendo arremessadas continuamente contra o telhado de sua casa.

Lá fora, não havia ninguém, exceto um grande cão peludo que emitia um ruído estranho enquanto perpassava em idas e vindas por baixo da cerca há alguns metros daquela casa. Não era um cão comum, havia algo medonho na criatura. Assustada, dona Mariana chamou um dos vizinhos próximos, conhecido por Genival, filho de Pedro Peru.

Armado com uma espingarda e tendo feito pontaria contra a besta peluda. Genival presenciou juntamente com dona Mariana, a transformação do bicho em gente.

– Não atire! Sou eu… Lenira! – disse a criatura transformada. Seus olhos arregalados, respiração ofegante e expressão assustada eram refletiam-se também na face daqueles que a observava. A espingarda de Genival tremia feito vareta verde. Não por medo, mas pela cena inusitada que acabara de ver. Ele e dona Mariana olharam um para o outro, ficaram sem palavras por alguns segundos. Esta foi sem dúvida, a experiência mais aterrorizante de suas vidas.

Lenira foi levada imediatamente para a casa paroquial, onde residia o Pe. José Kerhle. Tendo compreendido o fato como consequência da desobediência da jovem, o padre deu-lhe uma coça com cordão de São Francisco – no qual dava-se “cordadas” contra a pessoa mal agourada ao som de uma rezaria com intenção de expulsar qualquer tipo de entidade subversiva.

Houve quem não acreditasse. Porém, algumas testemunhas afirmam convictas que Lenira, realmente transformou-se numa besta peluda por consequência de sua desobediência num dia de Sexta-feira da Paixão. Após o corrido, a moça não tornou a virar bicho e sua história, hoje faz parte do imaginário popular que divide opiniões e mantém viva a fama do sumidouro, onde vagam os antigos espíritos.

*Os nomes “dona Mariana” e “Lenira” são fictícios e foram usados para não revelar a identidade real das personagens.

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Sobre o autor

Publicitário e pesquisador da história buiquense, interessado em artes plásticas, natureza e turismo de aventura.

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